segunda-feira

Legitimidades cruzadas. A arrogância do PSD e a ironia da sua vitória de Pirro


Quem viu Passos Coelho na noite de dia 4 de Outubro, em que foi o líder do partido mais votado, pensou que iria pacificamente formar governo depois de indigitado pelo PR. Porém, assente a poeira e feita a matemática socioeleitoral, a contagem de cabeças no Parlamento ditou o contrário em matéria de mandatos: o PSD com o CDS, essa aberração do "vira-casaquismo" nacional, com uma liderança que não olha a meios para atingir os fins, fez saber que juntos não formavam a maioria absoluta na AR para viabilizar os projectos de lei para funcionalizar a economia do país. 

Também aqui, e durante 4 anos (quatro anos!!!) o PSD não olhou a meios para atingir os seus fins e, por isso, e só por isso, coligou-se com o veneno Paulo Portas do CDS (numa coligação pós-eleitoral), que pisou todas as suas linhas vermelhas e que até se demitiu em 2013 para, assim, chantagear Passos e, desse modo, subir na hierarquia do aparelho de Estado, e conseguiu dado que subiu a Vice-PM. Foi essa a "metafísica" do conceito presente na "demissão irrevogável". Na prática, uma vergonha que saiu cara à República, que teve de pagar a subida dos juros da nossa dívida decorrente dessa especulação política lamentável de Portas, e que visou unicamente a sua auto-promoção e a dos seus boys no aparelho de Estado. 

Isto aconteceu porquê? Por uma simples razão: o PSD sabia que concorrendo sozinho a eleições, por força do método de Hondt, poderia até ter menos deputados do que o PS, mas com o CDS essa lógica seria mitigada e, assim, fariam a batota conveniente na secretaria para ganhar as eleições no terreno após 4 anos de austeridade e de consequente empobrecimento do país. Eis o que ocorreu. 

Neste quadro, pergunto-me por que razão o PSD - então - não buscou outra solução, ou seja, uma aliança - não com o CDS - mas com o PS - fazendo assim o "centrão dos interesses", as usual?!

Não foi isso que o PSD quis e fez, mas, agora, curiosamente, e após manifestar desconfiança em A.Costa, o que é recíproco, Passos convidou o líder do PS a integrar um futuro governo de direita. Dado o clima criado, agora é manifestamente tarde, dado que o "muro interno" do PCP e também do BE estão em acelerado processo de implosão, o que permitirá uma aproximação pessoal, ideológica e programática à criação de um programa comum que facilite a governação por um governo à esquerda. Um governo que não seja apenas para fazer passar o próximo orçamento/2016, mas um governo para uma legislatura, dado que à esquerda todos querem o mesmo: matar definitivamente aquilo que a troika interna - Passos, Portas e Cavaco representam - a austeridade. 

Em suma: o PSD quis o mundo, em linha com a sua prepotência, para isso meteu o CDS no poder e deu-lhe uns tachos, agora tem uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, por isso convidou A.Costa para integrar um seu governo, como se isso não fosse um presente envenenado - quer para A. Costa, quer ainda para Portugal e os portugueses, dado que o programa do PSD não mudou e continua a assentar na manipulação das contas públicas, na austeridade e na brutal carga fiscal tratando os portugueses como servos da gleba.

Neste quadro, só restará uma coisa a A.Costa, que está muito mais próximo do PCP e do BE do que do PSD, é apresentar em Belém uma solução de governo à esquerda estável para a próxima legislatura e colocar o PSD e o CDS na oposição. Talvez se compreenda a falácia do que estes têm defendido, e, uma vez na oposição, possam vir a promover o fim da austeridade, o que não têm feito no poder adiando assim o futuro do país e dos portugueses. 

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