domingo

Política à moda de Paulo Rangel: a má fé e a perfídia do vale tudo

O eurodeputado Rangel não sabia como dar nas vistas em Castelo de Vide, na famosa universidade de Verão, que mais não é do que um cabaré de doutrinação para jovens caciques que pretendem fazer carreira política e seguir o líder que criou a lista Vip e desconhece a obrigação de pagar impostos e as contribuições à segurança social, e resolveu, com aquela criatividade idiota que tão bem o caracteriza, evocar duas molas na sua paupérrima argumentação política: (1) chamar à colação o caso Sócrates, que está preso há quase um ano ainda sem culpa formada; (2) e servir-se do banqueiro, Ricardo Salgado, sempre apoiado pelo PR, cavaco Silva (por quem foi sistematicamente financiado) e, apressadamente, logo concluiu, como um bom idiota - que o PS jamais julgaria um banqueiro, e que, se estivesse no poder, impediria o julgamento ao ex-PM. 

Pelos vistos, Rangel acha que a justiça é manipulável a este ponto, concedendo à política a capacidade de instrumentalizar a alta magistratura, a ponto de a condicionar e mandá-la julgar um ex-PM e meter em prisão domiciliária o maior banqueiro do país.

Para um professor de Ciência Política, Rangel revelou desconhecer a separação de poderes, e interiorizou a ideia que ele próprio seguiria, caso fosse ele o PM, seu (eterno) desejo: meter Sócrates na cadeia, pois seria a melhor forma de o PS ser chamuscado no plano eleitoral e deixar o caminho aberto ao PSD; e, nessa linha, investigar também o banqueiro do regime, o qual financiou décadas a fio as campanhas ao PSD de Rangel. 

Ora, esta forma mentis de rangel revela bem um padrão de pensamento do eurodeputado, que perdeu peso, razão e discernimento - na proporção directa em que o PSD perdeu credibilidade perante a opinião pública. Uma forma mentis assente na má fé, na perfídia política, porque alicerçada na tentativa de ligação da campanha do PS ao caso Sócrates, que são casos isolados e distintos, insultando, por essa via, o princípio da separação de poderes e embrulhando o sistema judicial de partidarização que ele deveria conhecer, já que tem - ou deveria ter - uma sólida formação na área jurídico-constitucional.

Numa palavra, o autor da expressão "claustrofobia democrática" ofendeu o direito (que desconhece), tratou a política como uma rameira (na qual é expert e utilizador) e, por extensão, acabou por reconhecer que todos os juízes são corruptos ou corruptíveis a ponto de fazerem aquilo que o seu PM em funções, Passos, desejou que acontecesse: meter um ex-PM na cadeia juntamente com o maior banqueiro do país. 

Todavia, tenho para mim que rangel apenas queria mostrar-se ao país e pedir-lhe, encarecidamente, que o visse mais magro e elegante nesse reflexo do espelho narcísico. Só que pelo caminho saíram-lhe estas babuseiras que fizeram dele o ignorante que acabou por revelar-se. 

Pergunto-me se é feitio ou apenas uma consequência da dieta radical a que se submeteu, apesar de continuar a ter as mãosinhas sapudas e uma mente poluída, apenas obedecendo ao vale tudo em campanha eleitoral.

Por fim, não deixa de ser curioso recordar que rangel foi o adversário interno a Passos nas últimas "primárias" do PSD para as legislativas, indo um pouco além do candidato-simulado que foi Aguiar Branco, o advogado queque do Porto que anda completamente perdido no Ministério da Defesa Nacional.  

Curiosamente, é o mesmo rangel que hoje engraixa Passos, quiça na esperança de obter dele a anuência para continuar mais uns anos em Bruxelas a defender os seus próprios interesses, nem sempre em linha com os verdadeiros interesses nacionais. 

E já que rangel está muito preocupado com a corrupção e a promiscuidade em Portugal é estranho, para não dizer ENSURDECEDOR, que não tenha debitado uma única palavrinha relativamente ao escandaloso e lesivo caso dos submarinos, que na Alemanha apurou responsáveis e meteu-os na cadeia.

Este rangel é mesmo um caso de dieta política, desconfio até que aquela foi tão radical que lhe limpou o cérebro. 

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