quarta-feira

Uma troika de talento e genialidade: Buñuel, Lorca e Dali



Gazel do Amor Desesperado

A noite não quer vir 
para que tu não venhas, 
nem eu possa ir. 

Mas eu irei, 
inda que um sol de lacraus me coma a fronte. 

Mas tu virás 
com a língua queimada pela chuva de sal. 

O dia não quer vir 
para que tu não venhas, 
nem eu possa ir. 

Mas eu irei 
entregando aos sapos meu mordido cravo. 

Mas tu virás 
pelas turvas cloacas da escuridade. 

Nem a noite nem o dia querem vir 
para que por ti morra 
e tu morras por mim. 

Federico García Lorca, in 'Divã do Tamarit' 
Tradução de Oscar Mendes
 
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