terça-feira

A culpa não é de Edson - por Viriato Soromenho Marques -

O aumento irresponsável da dívida pública através de instrumentos lesivos do Tesouro e da transparência, como as PPP, tornou vulnerável o nosso país quando a solidariedade prometida no Conselho Europeu de dezembro de 2008 deu lugar à hegemonia da austeridade imposta pelo diretório, a partir do final de 2009. Segundo, em matéria europeia, ao PS não basta estar contra o servilismo da Coligação em relação a Berlim. Tem de ter capacidade para encontrar propostas e alianças próprias. Costa não pode continuar à espera de uma ideia redentora da Internacional Socialista. Infelizmente, Blair e Schröder, ontem, ou Gabriel e Hollande, hoje, fazem parte dos problemas que ameaçam destruir a Europa sonhada por Monnet ou Spinelli, e não da solução que a poderá salvar. Terceiro, Costa não tem razão quando a propósito da prisão de Sócrates continua a afirmar ser preciso separar o que é da justiça e o que é da política. A verdade é que com aquilo que já se sabe, antes de qualquer veredicto final dos tribunais, o PS deveria romper politicamente com Sócrates, para não ficar preso nas suas efabulações. Ficou provado que ele mentiu ao país, quando na RTP afirmou que os únicos rendimentos que possuía derivavam de um empréstimo da CGD.
Mais ainda, nenhum eleitor pode aceitar, sem náusea, que um ex-primeiro-ministro movimente, furtivamente, avultadas verbas através de envelopes. Se isso não prova nada, o que sugere nada tem de bom. São questões que não se reduzem à esfera judicial. São atos de grosseira violação de princípios elementares de ética pública, que um partido, almejando constituir governo, tem de condenar, no plano moral, sem evasivas. Os eleitores querem clareza, neste tempo de sacrifícios e incertezas. Candidaturas com pedras no sapato e reservas mentais são convites à desmobilização e à derrota.
O PS deveria ter a coragem de mudar de política e não de publicitário.
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