quinta-feira

A sociedade portuguesa está em trânsito para algo desconhecido

A acusação de Sócrates foi feita em mais uma carta escrita no estabelecimento prisional de Évora, onde está detido desde novembro por suspeita de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, e entregue quarta-feira à TSF e ao Diário de Notícias pelos seus advogados.

Na carta, segundo a TSF, José Sócrates refere que Pedro Passos Coelho "não se limita a confirmar que não é um cidadão perfeito, antes revela o caráter dele e o quanto está próximo da miséria moral".

No discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PSD, proferido terça-feira no Porto, o primeiro-ministro afirmou nunca ter usado o cargo para "enriquecer, para prestar favores ou para viver fora das suas possibilidades".
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Obs: O ainda PM critica, implicitamente, o seu antecessor dizendo que não enriqueceu à sombra  do cargo (é uma crítica cobarde, especialmente nas circunstâncias em que o faz, o que revela o mau carácter de passos colho); o ex-PM, directamente da cadeia, e ainda sem culpa formada, defende-se e acusa o actual PM, altamente debilitado, de miséria moral.
Na prática, e é isto que é absurdo, ambos falam "verdade" quando se referenciam (e acusam) entre si. Pois há factos (relativos a Passos) e fortes indícios (relativos a Sócrates) que permitem correlacionar tais acusações aos factos ilícitos correspondentes. A pairar sobre ambos está a sociedade, que já formulou o seu juízo acerca de ambas as criaturas.
Mas essa mesma sociedade também pensa, ou poderá pensar, que tais declarações deveriam ter sido proferidas por outras entidades - que não os próprios - mais imparciais, como os tribunais. Sucede, porém, que também já ninguém acredita numa justiça imparcial, objectiva e rigorosa emanada dos tribunais capaz de repor a justiça na sociedade e tranquilidade e a segurança na comunidade.
Como já ninguém acredita em ninguém, e estando o PR, cavaco silva fortemente desacreditado entre os portugueses, porque os casos de impunidade são muitos e variados, muitos de nós perguntam-se se o regresso à justiça pelas próprias mãos, de olho por olho, dente por dente, não fará mais sentido do que continuar a acreditar numa farsa e num simulacro de justiça que parece não fazer sentido, porque distante das percepções da sociedade e das convicções dos indivíduos que a integram.
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