sábado

Pedro Bidarra acerca do sr. Silva de Belém

Nota prévia: Mais um arrependido...


E não foi só vergonha, foi também arrependimento.

Em 1996 fiz a campanha de Cavaco Silva para as presidenciais. Os meus esforços, e de outros, não impediram a derrota, era impossível naquele contexto, mas proporcionaram-lhe um resultado digno (46%) quando se esperava uma humilhação nas urnas. E para quê? Para isto? Na altura foi só um trabalho remunerado, profissional, como o de um médico que não se recusa a tratar um doente, mas, olhando para trás, quem me dera tê-lo deixado morrer politicamente, ou, pelo menos, não o ter ajudado a renascer. Estou muito arrependido.

Não foi só o que ele disse - aquela dos portugueses estarem a pagar aos gregos foi repetida com fervor xenófobo em todos os fóruns radiofónicos do dia seguinte -, foi também a forma cínica e sobranceira como falou de um governo recém-eleito que tenta defender o seu interesse nacional, e que, até agora, não teve uma má palavra ou gesto para com Portugal - a única razão, a meu ver, que justificaria um comentário diplomaticamente desagradável. Ao contrário, já ouvimos e lemos muitas más palavras de políticos do Norte sobre o Sul, sem que o PR tenha feito qualquer observação. Ser forte com os fracos e fraco com os fortes é marca dos cobardes. Que vergonha me dá.


in «Dinheiro Vivo» do «DN», 12/02/2015

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