sexta-feira

Municípios vão poder contratualizar projectos nas áreas da educação e cultura. Mais experimentalismo político de Maduro


Nota prévia: 10 projectos-piloto com dez autarquias, todas em segredo como se vivêssemos numa pequena ditadura em que quer o Governo/Poiares de maduro e algumas autarquias - não querem dar transparência ao processo caso as coisas corram mal. Isto é incompatível com a democracia e o estado de direito.

Não se conhecem os métodos de avaliação para essa delegação de competências, as dotações orçamentais das autarquias que passariam a ter uma ingerência nas escolas contra os legítimos interesses dos alunos que, no âmbito do projecto-piloto, seriam avaliadas segundo critérios regionais e cujas escolas passariam a ser geridas segundo a vontade do autarca que passaria a instrumentalizar o director da "sua" escola em função de compadrios e oportunismos pessoais e políticos de pendor marcadamente regionais e locais. 

As autarquias, esmagadas que estão pela Lei dos compromissos e pela impossibilidade de contratação de quadros qualificados nas diversas áreas, que as impedem de se endividarem, não estão técnica e culturalmente preparadas para esta mera delegação de competências (e não descentralização!!!), a qual vai ao encontro do interesse do Governo que pretende "descarregar" nas autarquias aquelas funções sociais - como a gestão das escolas - que têm repercussões políticas, desresponsabilizando-se, desse modo, das sua gestão. 

Mas que grande alívio para o incompetente Nuno Crato - que vê aqui um furo para se desobrigar já no próximo ano lectivo em matéria de arranque escolar

Isto não é uma reforma, são contratos administrativos de tipo inter-administrativo que não passam de mais uma dose cavalar de experimentalismo político de um Governo e dum ministro que nunca souberam o que fazer ao tempo, aos recursos e ao poder que a sociedade, em má hora, lhes confiou.

Se isto for para a frente, é a destruição da escola em Portugal que está em causa. Citar, sem os nomear, estudos da OCDE para revalorizar esta pseudo-reforma e o ministro da pasta sair bem na fotografia, é mais um indicador de falta de seriedade na base em que a discussão desta mera delegação de competências na área da educação - foi colocada. 




Para a cultura, o Governo ainda não avançou um número, mas, à partida, poderão ser cinco os municípios interessados em assumir a gestão de edifícios e equipamentos que têm estado na esfera da administração central. Em causa está a transferência para a alçada dos municípios de equipamentos de âmbito não nacional.
Numa conferência de imprensa, que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros, o ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, referiu que a execução prevista “é progressiva, com projectos-piloto que assentam na adesão voluntária dos municípios ou comunidades". A proposta de decreto de lei "identifica princípios e o método comum ao abrigo dos quais vai decorrer a contratualização" e que passam pela "igualdade entre todos os municípios interessados". Inclui a "garantia de transferência dos recursos financeiros e patrimoniais necessários ao serviço público em causa" e estabelece a "obrigatoriedade da melhoria da qualidade desse serviço", que será "aferida através de indicadores de resultado". Ainda de acordo com Poiares Maduro, envolverá a "criação de mecanismos de monitorização e avaliação" da delegação de competências.
Questionado sobre o parecer desfavorável da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) à proposta governamental, o ministro disse que este processo "tem beneficiado de uma ampla consulta e negociação com os municípios". "O parecer da ANMP, que é aliás um parecer votado por uma maioria, é um parecer que, se por um lado, é favorável ao processo, por outro lado manifesta alguma preocupação quanto à falta de detalhe em alguns domínios, aqueles em que ainda não existem contratos interadministrativos", relativizou Poiares Maduro. O governante acrescentou que nessas áreas em que ainda não existem contratos haverá discussão "não apenas com os municípios individualmente mas também com a própria Associação Nacional de Municípios Portugueses".
Mas as críticas não vieram só da ANMP. Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, acusou o Governo de “falta de coordenação e liderança política” no processo de descentralização de competências para as autarquias. O também vice-presidente do PSD lamenta que Poiares Maduro tenha “lançado o processo e depois desaparecido”.
“Qual é o compromisso e o envolvimento do ministro, se ele é o responsável por esta descentralização global e depois desaparece?”, questionou Carlos Carreiras, em declarações ao semanário Sol, um dia depois de o Governo ter enviado para as autarquias uma minuta de contrato interadministrativo de delegação de competências na Educação.
Críticas à parte, o secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, disse ao PÚBLICO que a aprovação do diploma “é um acto de grande respeito para com as autarquias, na medida em que se abre uma porta à confiança do Estado nas autarquias de responsabilidades muito importantes”.
“Acreditamos que vamos melhorar a qualidade e a eficiência na gestão nos domínios da educação, cultura, saúde e segurança social”, disse o governante, sublinhando que o Governo deu um passo em frente na descentralização do país, uma questão há muito reclamada pelos autarcas.
“A descentralização de competências para os municípios no domínio da educação avança paralelamente com o reforço da autonomia dos agrupamentos das escolas”, disse. “Com este processo, há uma assumpção de responsabilidade até ao secundário, e não apenas ao ensino básico, e os municípios passam a ser parceiros do processo educativo, que era uma coisa que não acontecia”, sublinhou Leitão Amaro. Os contratos para transferências na área da educação devem permitir que os municípios envolvidos iniciem a gestão de escolas segundo o novo modelo já no início do próximo ano lectivo.
Horas depois de ter sido aprovado o diploma, os Autarcas Sociais-Democratas (ASD) aplaudiam a medida e afirmavam que “o melhor caminho para implementar um processo seguro e rigoroso de descentralização é através de um processo progressivo e faseado, através de projectos-piloto”.
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