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José Quitério, a gastronomia como património cultural

José Quitério fotografado ontem no seu escritório, em Lisboa
José Quitério fotografado ontem no seu escritório, em LisboaFotografia © Diana Quintela/Global Imagens
Se pedirmos a José Quitério para eleger o seu prato favorito, ele fica indeciso. "Só um?", ri-se, do outro lado do telefone.
De todos os pratos maravilhosos que já provou, o mais conhecido crítico gastronómico português, que durante 38 anos escreveu no semanário Expresso, nunca diz que não a um cabrito assado no forno, "se for feito como deve ser" e com os acompanhamentos certos. Ou então um bacalhau, dos muitos que fazem parte da nossa tradição.
Já no que toca a sobremesas, Quitério não tem dúvidas: "Gosto de toda a doçaria conventual, sobretudo a alentejana e, claro, as fatias de Tomar, da minha terra". Gemas de ovos e açúcar, é preciso mais para nos levar ao paraíso?"
Aos 72 anos, José Quitério acaba de ganhar o Prémio Universidade de Coimbra 2015. O júri do prémio "convergiu naturalmente" para esta escolha, disse o reitor João Gabriel Silva, adiantando que a distinção, no valor de 25 mil euros, contou neste ano com onze candidaturas. "A inegável qualidade e consistência do percurso profissional de José Quitério" e o contributo que, através dos seus escritos, durante décadas, tem dado nos planos "cultural, histórico, sociológico, etnográfico" e até, de forma indireta, económico, para "a qualificação da sociedade portuguesa", explicam a decisão. "O júri considerou que o laureado tem dado um contributo muito importante para o mundo da gastronomia em Portugal e, mais ainda, da cultura portuguesa", afirmou o reitor, sustentando que "a comida reflete muito a cultura e a maneira de estar" dos portugueses. "Não vamos à procura de pessoas muito conhecidas ou "premiáveis", mas de alguém que se distinga no mundo da cultura e da ciência."
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Obs: Felicite-se José Quitério. 

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