quinta-feira

Uma Comissão hábil - por Francisco Seixas da Costa -




Uma Comissão hábil

Uma Comissão hábil
Jean-Claude Juncker é um velho ‘routier' das coisas europeias. Melhor que ninguém, ele terá sido sensível à dificuldade de fazer a "quadratura do círculo", num exercício que combina poderes e sensibilidades nacionais e do qual não podem estar ausentes os critérios de competência.
Creio que Juncker conseguiu um resultado hábil, ao criar um grupo curioso, onde se nota o "dedo" da Alemanha. Haverá agora que ver se o modelo é eficaz.

Os principais países foram bem "servidos", como seria de esperar. As poucas mulheres do novo executivo de Bruxelas - muito menos do que aquelas com que Juncker desejaria poder contar - têm alguns lugares de relevo. Aos comissários oriundos de alguns países mais pequenos foram dadas responsabilidades interessantes, o que não deixa de ser equilibrador. Em especial, será interessante observar se as "vice-presidências", que no passado foram quase sempre "verbos de encher", virão a ter, de facto, algum poder coordenador no futuro. Porém, olhando para o perfil de alguns comissários que ficarão teoricamente sob essa "coordenação", fico com muitas dúvidas sobre a praticabilidade do modelo.

Portugal teve um excelente resultado. A pasta atribuída a Carlos Moedas é, na minha opinião, muito melhor do que alguma vez se poderia legitimamente pensar. Mas não deixa de ser irónico que a um país que, nos últimos três anos, tem vindo a delapidar o património de prestígio que, no sector da Investigação e Inovação, o trabalho de um homem como Mariano Gago havia granjeado pela Europa e pelo mundo, seja agora dado o portfolio que directamente lida com esse tema crucial para o futuro. Citando João César Monteiro, Moedas deve estar a perguntar-se: "Que farei com esta pasta?". Com total sinceridade, espero que faça o melhor possível.

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ObsPresumo que o - João César Monteiro - a que o ex-embaixador Francisco Seixas da Costa se refere - é o cineasta já desaparecido, e autor de filmes como a Bodas de Deus e Recordações da casa amarela. Se é, não deixa de ser sintomática (e irónica) esta terrível associação!!!

Que Deus ajude o engº Moedas a fazer da I & D da Europa algo diferente da relação (de lamentável subserviência) que manteve com a troika em Portugal.

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