quinta-feira

UM DESASTRE - por Luís Meneses Leitão -

Imagem picada no risoma

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Para se ver o resultado da presidência de Durão Barroso na comissão europeia, basta comparar o que era a União Europeia em 2004, altura em que se deu o grande alargamento e tudo parecia possível, com o que é hoje dez anos depois. Nestes dez anos a comissão europeia, que tinha a função de guardiã dos tratados, apagou-se completamente e hoje a Alemanha põe e dispõe, levando a que no resto do mundo a Europa tenha passado a ser sinónimo de Alemanha. É por isso que a Europa mergulhou precipitadamente na questão ucraniana, uma questão que se sabia desde o início ser explosiva e que tinha que ser tratada por diplomatas experientes e não por políticos imponderados. Como se dizia na célebre série Yes, Prime Minister, na diplomacia pretende-se sobreviver até ao próximo século, enquanto na política se pretende sobreviver até sexta-feira à tarde.

Mostrando o jeito que tem para a diplomacia, apesar de ter sido Ministro dos Negócios Estrangeiros, Durão Barroso achou que podia divulgar uma conversa telefónica particular com Putin em que ele lhe terá dito uma coisa óbvia: que a Rússia, se quisesse, podia tomar Kiev em duas semanas. Aliás, desde os tempos da guerra fria que o exército russo tem condições de ocupar a Europa Ocidental até em menos tempo, só tendo sido travado pelo guarda-chuva nuclear americano. Não me espantaria nada, por isso, que Putin lhe tivesse dito que, se quisesse também podia ocupar Berlim, Bruxelas e até Lisboa, embora as consequências dessa iniciativa levassem necessariamente a um conflito nuclear com a Rússia, conflito esse que só a diplomacia pode evitar. Foi por isso muito pouco diplomático Durão Barroso ter ido revelar o conteúdo dessa conversa telefónica aos 28 membros do Conselho Europeu, sabendo-se evidentemente que estes iriam, como os doze apóstolos, espalhar a boa nova por todo o lado.

Putin é que não se ficou e ameaçou divulgar o conteúdo da conversa telefónica com Durão, que terá gravado, se este não se retratasse imediatamente. Durão Barroso foi por isso obviamente obrigado a engolir publicamente o que tinha dito. A aceitação pelo Presidente da comissão europeia de um ultimato da Rússia, numa altura em que a União Europeia ameaça a Rússia com sanções, constitui no plano das relações internacionais uma situação absolutamente ridícula. Justifica-se por isso que se questione o que terá sido dito nessa conversa, que pelos vistos era mais prejudicial a Durão Barroso do que a Putin.

Durão Barroso foi um desastre tão grande para a Europa que é possível que, nos últimos dias do seu mandato, ainda nos consiga fazer mergulhar numa guerra com a Rússia. Rezemos para que ele deixe rapidamente Bruxelas e regresse a Lisboa. Se isto demora muito mais tempo, ainda é capaz de vir com o exército russo atrás.
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Obs: Faço notar que antes de Barroso ter sido MNE, foi o ajudante de cavaco como secretário de Estado dos Assuntos Externos e da Cooperação (1987-1992) - um cargo tão importante na mediação dos líderes contendores em Angola, Dos Santos/MPLA e Savimbi/UNITA, que conduziu aos Acordos de Bicesse (Estoril) e que tiveram o desfecho que conhecemos, degenerando em guerra civil angolana. 

A Europa, hoje, volvidos 10 anos de desgoverno, impreparação e subserviência a uma Alemanha hegemónica, piorou. Esta é, em rigor, a grande proeza do DESERTOR - dr. Barroso - que também já abriu uma nova frente de guerra com Moscovo, revelando que pode bem ser o espião que vai do Ocidente para o Frio - mas que foi tramado a meio do trajecto pelo ex-KGB que até grava conversas telefónicas e não brinca em serviço.
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