domingo

O urso e a armadilha do pote de mel




Por factos e outras evidências que entram olhos a-dentro dos portugueses, clientes e não clientes dessa teia de malfeitores que foi o GES/BES (com o Ricardo-dos-mitos-caídos à sua frente), a metáfora do ursinho dentro do pote de mel poderá corresponder ao que se espera da Justiça (leia-se, da imagem que dela fazemos) em Portugal. Uma justiça que, quer diante dos cidadãos quer diante das empresas redunda num total falhanço, por ser cara, lenta e terrivelmente injusta e incompetente, situação de garrote agravada por um Estado ultra-liberal - e duma titular da pasta cuja noção do sector não vai além dum balcão administrativo que emite papéis e cobra emolumentos. Obrigando, segundo o proposto Mapa judiciário as pessoas gastarem uma "pipa de massa" só para se deslocarem aos tribunais. 

O que prova que em vez duma ministra da Justiça, o Estado deixou-se colonizar por uma "barbie-manga-de-alpaca" que aplica à Justiça a visão lancinante do talhante: corta, corta, corta até osso, de modo a ajustar os outputs com os inputs financeiros cabimentados e autorizados pelo Terreiro do Paço, dirigido pela Miss Swaps.

Esta deriva serve para enquadrar o papel do ursinho dentro do pote de mel (na imagem supra), ou melhor, a armadilha que a Justiça teria que saber desenvolver para apanhar o referido "urso" que, alegadamente, terá canalizado para um país da Ásia um fragmento da sua imensa fortuna, feita à custa dos desgraçados dos clientes a quem o ex-BES enganou dolosamente, porque utilizou indevidamente os seus recursos para benefício pessoal - de um ou alguns membros - do clã Espírito Santo. 

Ora, o caçador de ursos sabe que para caçar a sua presa não o pode fazer deixando entrever ao urso o que está a acontecer, i.é, o urso enfurece-se sabendo que está sendo caçado, e ao sentir-se encurralado a eficácia da caçada fica comprometida.

Sabendo isto, que já é algo, a Justiça em Portugal, deveria colocar pequenas armadilhas - como iscos de mel - ao dito urso. Talvez fosse a forma mais inteligente de o caçador/Justiça não arriscar a vida/eficácia do processo e, assim, conseguir desmantelar os esquemas do GES/BES e, ao mesmo tempo, recuperar activos do grupo para reembolsar os clientes lesados, incluindo aqui os mais ávidos - como os pequenos, médios e grandes accionistas, também filhos de Deus e completamente ludibriados pelas principais autoridades políticas e regulatórias deste Portugal à beira-mar plantado... 

No fundo, a Justiça em Portugal poderia demonstrar neste caso, até porque já goza do mau precedente do BPN (protegido pelo actual locatário de Belém) - a aplicabilidade do princípio do "vazio" e do "cheio" na relação da Justiça com arguidos tão especiais quanto "importantes" e problemáticos, sobretudo pelos meios e património que envolvem. 

A Justiça teria, neste caso, que se perfilar como um bom guerreiro e chamar a si os arguidos mais difíceis, tendo para o efeito que induzir os "ricardos" deste país a irem ao encontro da Justiça, de modo a esgotar a energia deles. À Justiça não compete atacar o vazio com o cheio, isso seria como atirar pedras a ovos. 

E o ricardo, consabidamente, não é um "ursinho" qualquer, é já uma velha raposa que lidou com vários regimes, vários PM e PR e conhece os segredos de todos eles e de cada um em particular, o que constitui um trunfo para o urso que agora está sendo caçado, pois a qualquer momento aquele pode denunciar os poderes (e os podres) que ora se pretende fiquem no limbo e geridos segundo a lei de omerta

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