segunda-feira

Ricardo Salgado e a Rocha Tarpéia


Considerado até há pouco o único verdadeiro banqueiro em Portugal (com poder, força, prestígio, influência e até autoridade) - Ricardo Salgado caiu da cadeira sem poder nem glória, e, claro, também menos rico. Mas isso é o que menos importa para quem já tem milhões e até se dá ao luxo de esquecer de os declarar... 

- No metier era cunhado como o Sr. "DDT" (Dono Disto Tudo); doravante, o seu nome passou a ter uma ressonância profundamente negativa e rima com Eduardo dos Santos, corrupção angolana, lavagem de dinheiro, compra de poder e de influência, etc.

- Digamos que o seu nível de radioactividade há muito que ultrapassou a instância de supervisão a cargo do BdP (Banco de Portugal) e até o do polícia dos mercados, a cinzenta CMVM.

- Neste quadro de poder e de influência altamente declinantes, há coisas que Ricardo já não poderá fazer mais: indicar secretários de Estado para o governo, injectar deputados na AR (que passam a representar o grupo, ainda que indirectamente através de legislação amiga); nomear ministros e persuadir primeiro-ministros. É certo que Barroso ou Marcelo de Sousa ainda poderão fazer férias com ele, no Mediterrâneo ou no rio Zêzere, mas já sem o estatuto do passado recente que respondia pelo Sr. DDT. 

- A banca vive, essencialmente, de um valor: a CREDIBILIDADE - geradora de CONFIANÇA - valores que demoraram décadas a construir e que Salgado deixou de ter em quantidades industriais, por isso a sua palavra hoje vale ZERO, e enquanto se mantiver no espaço público as acções do GES afundam ainda mais, o que, a prazo, implicará um downsizing na mega-estrutura do banco e, consequentemente, levará a mais desemprego no sector bancário.

- Certamente, muitos dos actos e operações financeiras (nacionais e internacionais), conhecidas e ocultas, não são apenas imorais ou ilegítimas, são de natureza ilegal/criminal, porquanto violaram normas legais cujos procedimentos implicam mais do que coimas ou inibições de desempenhar essa techné e arte de ser banqueiro - que empresta dinheiro com o capital dos outros.

- Sabendo isto, que não é pouco, não deixará de ser curioso acompanhar a forma como as autoridades de mercado e de supervisão, (CMVM e BdP), o MP, a Polícia Judiciária, o DCIAP - entre outros organismos de prevenção e de combate à criminalidade de "colarinho azul" em Portugal - irão actuar junto do banqueiro, nem que seja para aferir a forma como Oliveira e Costa (o único banqueiro português preso até hoje no caso BPN) foi tratado e a forma como Ricardo será ajudado a iniciar e maturar a sua dourada reforma entre nós.

- Seja como for, o pior que neste momento lhe poderia acontecer seria um banco com capitais angolanos em Portugal - o convidasse para assegurar a gestão desses mesmos capitais angolanos entre Nós...

- Talvez não fosse positivo para a reputação do ex-banqueiro. Quem já foi o DDT e, agora, caiu em desgraça pode continuar a ter muito, muito dinheiro, mas há coisas que o dinheiro nunca poderá comprar..., muito menos agora.

- Do sucesso à desgraça é um ápice. Parece até uma Lei da física que explica a queda dos corpos. 

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