terça-feira

Monty Python - o génio do humor dos sécs. XX-XXI

Ninguém espera a Inquisição Espanhola, mas todos aguardamos esta despedida dos Monty Python




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Um homem entra no barbeiro. O barbeiro pergunta: “Como quer que lhe corte o cabelo?” Resposta: “Em silêncio.” Não sendo nova, a piada não perdeu a graça. Não sendo nova? É absurdamente antiga. Surge em Philogelos(Amante de Gracejos), compilação romana de humor, escrita em grego e datada do século VI d.C., e a piada será até mais antiga do que isso. O protagonista é identificado como sendo Archelaus, rei macedónio do século V a.C. (...)

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Houve o antes, porque eles são filhos de um tempo e de um meio específicos e não nasceram por geração espontânea, brilhantes a partir do momento em que se reúnem em 1969 os dois ex-estudantes de Oxford, Terry Jones e Michael Palin, os três de Cambridge, John Cleese, Graham Chapman e Eric Idle, e o americano cartoonista com ambições de vir a ser cineasta (e foi, assinando filmes como Brazil12 Macacos ou Delírio em Las Vegas). Todos tinham absorvido as lições de Charlie Chaplin e Buster Keaton, tinham crescido com a revolução no humor radiofónico protagonizado pelo Goon Show de Peter Sellers, Spike Milligan e Harry Secombe, tinham assistido ao mesmo Milligan e a David Frost a quebrarem as regras do humor televisivo, enquanto Terry Gilliam, filho da contracultura americana da década de 1960, nunca escondeu que tinha em Meliés, o inventor da ficção científica no cinema, uma das suas maiores inspirações.

Houve portanto um antes. E houve o depois, quando aquela amálgama delirante de nonsense, sátira, irreverência, erudição, desdém pela autoridade sob todas as formas e iconoclastia insaciável (nada estava a salvo), se tornou um adjectivo (“pythonesque” figura nos dicionários de língua inglesa). Mundo fora, milhões apropriaram-se dos sketches do programa televisivo Monty Python’s Flying Circus (Os Malucos do Circo, em Portugal), exibido na BBC entre 1969 e 1974, ou de cenas saídas da cinematografia posterior – citamos a trilogia imaculada: Monty Python e o Cálice Sagrado a trocar as voltas à lenda do Rei Artur em 1975; A Vida de Brian a subverter em 1979, não a história de Cristo, como tanto católico indignado que não viu o filme à época achava, mas o ruído de quem o seguiu e o tresleu; e O Sentido da Vida, a despedida em 1983, colecção de sketches admiráveis “explicando” a humanidade desde o nascimento até à morte – spoiler: não há resposta para a questão colocada pelo título. (...)

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Obs: Inesquecíveis e talentosos. Os beatles do humor - ficam todos. 

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