segunda-feira

O factor António Costa na equação de poder do PS de António José Seguro



Questão central: como é que o PS de António José Seguro chega ao poder?

- Dois pressupostos: 1) sabe-se que Cavaco, além de querer terminar o seu 2º mandato sem percalços, não desiste de instar os dois grandes partidos do arco da governação - PSD e PS - a entenderem-se para gerar um grande consenso em torno da fase pós-troika que Portugal terá de enfrentar. A esta luz, Cavaco deseja a institucionalização da reedição de um novo bloco central necessário à governação. Aliás, presumindo-se que o PS de Seguro não consiga atingir a maioria absoluta nas próximas eleições legislativas (e as sondagens comprovam-no), atenta a fragmentação do eleitorado, uma qualquer coligação se revela indispensável à governabilidade, sob pena de o processo legislativo no Parlamento ficar paralisado com prejuízos óbvios para o país; 2) o PSD ceder ao PS a faculdade deste nomear o próximo Comissário europeu, aliás, uma reclamação do PS que teria um efeito-alívio para Seguro: "arrumar" de vez António Costa em Bruxelas e, ao mesmo tempo, fazer desaparecer a virtual oposição interna que, volta e meia, é personificada pelo actual edil da capital e mina a confiança de Seguro na liderança do PS.

Materializados estes dois pressupostos, e admitindo que têm verosimilhanças com a realidade emergente, resta saber - no limite - para que Cavaco desejará esse novel bloco central...  

Poderá sempre equacionar-se, ainda que em tese, que aquele trade-of do PSD ceder ao PS a possibilidade de nomeação do próximo Comissário europeu, o PS, como contrapartida, apoiar o candidato-delfim de Cavaco a Belém: Durão Barroso. 

De ajudante, no tempos da secretaria de Estado da Cooperação e nos Acordos de Bicesse - que tiveram glória perene, a MNE, depois PM, Durão Barroso cedo se revelou o delfim de Cavaco, inviabilizando o futuro político de Fernando Nogueira, que se afastou enojado da política. 

Mas Barroso foi mais longe: desertou do país e entregou os comandos do Executivo que dirigia a um impreparado, S. Lopes, como se a República portuguesa fosse uma monarquia corrupta e irresponsável, à semelhança do que se passara nos finais do séc. XIX. 

No fundo, Cavaco não deseja apenas o bloco central, pretende também colocar Barroso no Palácio Rosa como seu legítimo herdeiro e com - pasme-se!! - o apoio do PS de Seguro, e ficar para a história como o Presidente da República que conseguiu fazer a quadratura do círculo numa fase de profunda antagonização da vida politico-partidária em Portugal, que coincidiu com o protectorado da troika que empobreceu o país, e fazer com que dele os historiadores digam que, além de ser o Primeiro Ministro que modernizou Portugal ao tempo dos fundos comunitários, foi também o Presidente da República que conseguiu reconciliar o país político após o XIX Governo (in)Constitucional ter esbulhado os portugueses durante 4 anos seguidos, que coincidiram com a presença da troika em Portugal. 

Se este cenário tiver algum fundamento, os portugueses que votam só têm uma forma de reagir a este miserável desígnio (e aos seus proponentes): combatê-lo por todos os meios de molde a impedir que tal se realize.  

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