terça-feira

A mentira é uma reinterpretação interessada da verdade


A mentira política foi o mecanismo que mais intensamente se institucionalizou na vida pública em Portugal. À frente de tudo e de todos. Com um despudor e uma prepotência e insensibilidade social sem precedentes em Portugal.


O que ficou apurado do caso da aquisição dos submarinos, que envolveu directamente Paulo Portas? O famoso caso BPN, o maior crime económico-financeiro do séc. XX-XXI - teve algum julgamento de natureza jurídica? ou foi mais político, no sentido de desculpar e/ou branquear algumas pessoas, como Dias loureiro, que integravam o inner circe de Belém - cujo locatário comprou e vendeu acções em circunstâncias out of market, ou seja, com clara violação das regras de transparência da CMVM aplicados aos demais compradores de acções. 

O abate de sobreiros no Ribatejo, que envolveu o tesoureiro do CDS e o BES representou, afinal, o quê, concretamente (?); a preparação para uma conferência sobre ambiente? teria isso relação com o financiamento partidário?

Por outro lado, a forma ilegal e ilegítima como o XIX Governo Constitucional legisla e faz sair leis que esbulham os portugueses, em particular funcionários públicos e reformados, espelha bem os métodos, a ideologia e a praxis seguida por um governo pernicioso à república e à sociedade. Um governo cuja acção arbitrária só é refreado pelo Tribunal Constitucional, a única instituição em Portugal capaz de limitar os abusos de poder e as ilegalidades cometidas por um bando de lunáticos que se alçaram ao poder. 

Daqui decorre a magna quaestio: quem nos defende desta bandidagem politicamente legalizada?! 

Se calhar, o caso dos submarinos foi ficção; a mega-fraude do PBN um guião para um filme cujo protagonista podia ser um ex-primeiro ministro de Portugal; os esbulhos sucessivos aos trabalhadores por conta de outrém em Portugal configura uma ilusão, etc..

No actual poder há sempre alguém comprometido em querer converter as verdades em ficções, recorrendo à propaganda mais miserável de que há memória: os cortes aos salários das pessoas são, doravante, ajustamentos; até às eleições europeias há um blackout informativo por parte do governo, na medida em que o povão não tem direito à verdade. A verdade é só para ricos e para quem exerce o poder. 

Esta forma de manipulação das informações, por acção e omissão, redunda na mais vil forma de corrupção do exercício dos cargos públicos; governar por abuso da lei e da força, obstruindo sistematicamente a verdade dos factos, torna assimétrica a luta política na sã (que devia ser sã!!) competição pelas ideias e pelos projectos políticos. 

Este governo conseguiu converter uma democracia representativa numa farsa, tal a degradação pública que hoje vivemos com secretários de Estado a debitarem informações desconhecidas pelo primeiro ministro, contrariadas pela ministra das Finanças - num jogo de cabra cega da política à moda de Passos Coelho.

Daqui a dias Portugal comemora 40 anos de democracia pluralista, e o melhor que este governo e este presidente têm para mostrar aos portugueses são as consequências dos seus actos: mentira, desemprego, empobrecimento galopante dos portugueses, conflitos sociais e intergeracionais, corrupção, incompetência, carga fiscal abusiva e anti-constitucional, coisa de que o TC se lembrar de evocar de quando em vez.

Estas são algumas das características da actual democracia lusa. Cavaco, a partir do seu farol de Belém, sabe que as coisas são assim e assina por baixo em nome da sua tranquilidade política e da sua carreira pessoal. Não gosta de sobressaltos, de modo que o governo ajuda-o a terminar o seu mandato com dignidade. 

A justiça, outro cancro entre nós, está a desertificar e a matar o país através do miserável mapa judiciário, o qual revela a regressão civilizacional em que vegetamos. Troika oblige!!!

Hoje é o dia das mentiras, e nada melhor para sinalizar esse dia do que evidenciar aqui algumas das verdades fatais que estão a destruir o regime democrático e o estado de direito que em breve comemorará 40 anos de existência. 

A nossa encruzilhada já não é só com o equilíbrio das finanças públicas, um mal já oriundo do tempo da nossa mui real, leal e corrupta monarquia. O nosso mal radica os sucateiros que uns milhares de portugueses, por engano e ilusão, colocaram no poder e, agora, aflitos, desconhecem a forma de os apear de lá. Mas pagamos todos pelo erro d´alguns.

Temo que não haverá novo amanhecer enquanto o actual grupo de estarolas ocupar S. Bento. 



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