terça-feira

Uma Europa alemã- por Luís Menezes Leitão -



Já se percebeu que a União Europeia está hoje reduzida a ser um eco das posições alemãs. Só assim foi possível agir tão desastradamente na questão da Ucrânia, gerando um sarilho cujas consequências já são gravíssimas, podendo tornar-se ainda piores a curto prazo. Perante os protestos que causou a decisão do presidente ucraniano de não assinar o acordo de associação à UE, a Alemanha considerou ter uma oportunidade para estender a sua influência à Ucrânia. Após a queda do presidente Ianukovich, a UE reconheceu assim precipitadamente um governo de extremistas formado na Praça Maidan, que imediatamente decidiu ilegalizar a língua russa no país. Ora era evidente que tal seria considerado uma declaração de guerra à população russa, que rapidamente pediu auxílio a Moscovo.

Percebendo estar perante uma ocasião de ouro, Putin decidiu aproveitar para anexar a Crimeia, cortando grande parte do acesso da Ucrânia ao mar.  Só se quiser é que ficará por aqui, pois nada o impede de utilizar estratégia semelhante para obter os restantes territórios ucranianos de maioria russa ou mesmo a Transnístria, na Moldávia. A UE assinou entretanto o acordo de associação, mas já não sabe com que Ucrânia. Este resultado desastroso demonstra o absurdo que é uma UE totalmente subordinada à estratégia de um estado-membro. Era por isso melhor que acabassem as visitas de vassalagem a Berlim e se começasse a fazer uma política de contrapeso à influência alemã na Europa. Se não, a UE afunda-se.


Professor da Faculdade de Direito de Lisboa 

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Obs: Mais uma vez o papel de Durão barroso é ambivalente e anti-europeu: por um lado, é o fiel amigo da chancelerina Merkel, por outro foi o porta-voz do pacote financeiro de ajuda à recuperação e estabilização da Ucrânia que ficou pelo caminho. 

- Profundamente alinhado e subordinado à Alemanha - barroso acaba por reduzir o já limitado espaço de manobra para a UE desenhar uma política autónoma para barrar o caminho à Rússia emergente (imperial) de Putin, também não sendo capaz de ir além de replicar as posições norte-americanas sobre a matéria. 

- Barroso é, no fundo, aquilo que sempre foi: o mordomo dos EUA para os assuntos europeus e o fiel amigo que não passa dum apêndice de Merkel. 

- Parece uma reedição da Cimeira das Lajes - que preparou o caminho à guerra ao Iraque por parte do seu amigo G.W.Bush (Blair e conexos) - para localizar e destruir uma categoria de armas que, afinal, nunca existiu.

Foi "isto" que colocámos como presidente na CE: um ilusionista. 


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