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NATO alerta para movimentações "preocupantes" na fronteira com a Ucrânia


NATO alerta para movimentações "preocupantes" na fronteira com a Ucrânia


Depois da Crimeia, a Rússia pode estar a preparar-se para ocupar outras regiões ucranianas, no Leste do país, mas também a Transnístria, uma pequena república separatista da Moldova localizada na fronteira sudoeste da Ucrânia. O alerta é do comandante supremo da NATO na Europa, o general Philip Breedlove, que olha para Moscovo "muito mais como um adversário do que como um parceiro".
Numa conferência organizada pelo think tank German Marshall Fund, em Bruxelas, o general norte-americano disse que a dimensão das forças russas na fronteira com a Ucrânia deixa perceber que a Crimeia poderá não ser a única região debaixo do radar de Vladimir Putin.

"A força [russa] que está na fronteira Leste da Ucrânia é muito, muito grande e está preparada para entrar em acção", disse o líder militar da NATO na Europa. "Há tropas suficientes na fronteira Leste da Ucrânia para serem enviadas para a Transnístria, se essa decisão for tomada, e isso é muito preocupante. A Rússia está a agir muito mais como um adversário do que como um parceiro", concluiu.

A Transnístria declarou a independência da Moldova em 1990, mas esse estatuto não é reconhecido por nenhum Estado-membro das Nações Unidas. É considerada pela Moldova um território autónomo com estatuto legal especial, mas está sob a influência da Rússia, que tem no território um forte contingente militar.

Em 2006, as autoridades locais organizaram um referendo para perguntar aos habitantes da região se queriam renunciar à declaração de independência e integrar ou a Moldova ou a Rússia. Mais de 98% dos eleitores escolheram a integração na Rússia, mas a Moldova e a União Europeia, bem como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, não reconheceram os resultados da consulta popular.

As preocupações do general Philip Breedlove são partilhadas pelo vice-conselheiro nacional de Segurança dos Estados Unidos, Tony Blinken. Numa entrevista ao programa da CNN State of the Union, o responsável da Administração Obama qualificou as movimentações militares russas na fronteira com a Ucrânia de duas formas: "É provável que a intenção deles seja intimidar os ucranianos. É possível que estejam a preparar-se para avançar."

Na eventualidade de este último cenário estar a ser equacionado em Moscovo, a Casa Branca considera ser "altamente improvável alterar os cálculos da Rússia e prevenir uma invasão", disse ainda Tony Blinken.

Em resposta às preocupações da NATO e dos Estados Unidos, o vice-ministro da Defesa russo afirmou que as movimentações ao longo da fronteira com a Ucrânia estão em conformidade com os acordos internacionais. "O Ministério da Defesa russo está a cumprir todos os acordos internacionais para a limitação do número de tropas nas zonas de fronteira com a Ucrânia", disse Anatoli Antonov, citado pelas agências noticiosas russas.

O mesmo responsável disse que as movimentações foram "verificadas duas vezes pelos militares ucranianos" e por "grupos de inspectores internacionais". Anatoli Antonov disse que estiveram na Rússia inspectores dos EUA, Canadá, Alemanha, França, Suíça, Polónia, Letónia, Estónia e Finlândia, mas não avançou detalhes sobre a composição dessas missões.

"Os nossos parceiros concluíram que as forças armadas russas não estão a levar a cabo actividades militares secretas que possam ameaçar a segurança dos Estados vizinhos", afirmou o vice-ministro da Defesa russo.

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Obs: Os indícios do crime decorrente da violação da integridade territorial da Crimeia e do Direito Internacional Público por parte da Rússia, são de tal modo evidentes que as ambições hegemónicas de Putin sobre a Ucrânia, e o espaço envolvente, obrigam a atribuir uma nova e urgente missão para a Nato - que terá agora de despertar da letargia em que caiu após a queda do Muro de Berlim. 

Putin não pode - e não deve - estar em condições de desenvolver o redesenho do mapa político europeu sozinho, sobretudo quando ele se faz violando a integridade territorial, a independência e a soberania de Estados reconhecidos pela comunidade internacional. 

Isto já lá não vai com sanções económicas, as quais, na prática, operam como cócegas para a oligarquia corrupta russa liderada por Putin. 

Obama terá de "sair da casca" da sala Oval e comprometer-se mais na política de Segurança & Defesa da Europa. Se não o fizer dará dois péssimos sinais: uma para a afirmação da América no mundo (e será domesticamente cilindrado pelos Conservadores); outro para a Europa que, consabidamente, tem perdido força, prestígio e status com a gestão passiva e equilibrista de Barroso - que ainda não conseguiu distinguir um projecto europeu sólido (inexistente) da gestão da (sua) carreira pessoal (politicamente irrelevante).


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