quinta-feira

Jacinto Nunes critica governo “sem ideias” e defende reforma política


Jacinto Nunes critica governo “sem ideias” e defende reforma política



O economista Jacinto Nunes afirmou que o atual governo “não tem força, não tem ideias e não tem estratégia” e defendeu uma reforma política para que possam ser feitas reformas estruturais.
“O poder político está subordinado ao poder económico”, acusou o ex-ministro das Finanças, numa entrevista à Lusa no âmbito dos 40 anos do 25 de Abril.

“Por exemplo, a EDP, o menino Mexia faz o que quer e sobra-lhe tempo”, criticou o antigo governador do Banco de Portugal, apontando que se não fossem dadas tantas facilidades à empresa de energia, “que tem rendas excessivas”, “já não iam (cortar) às pensões de sobrevivência das viúvas”.

“Acho que este governo não tem capacidade, não é uma questão política”, afirmou Jacinto Nunes, 88 anos, que integrou o governo de António de Oliveira Salazar como subsecretário de Estado do Tesouro, ainda na década de 1950, liderou o Banco de Portugal após o 25 de Abril, foi presidente da Caixa Geral de Depósitos e depois integrou um governo chefiado por Mota Pinto como ministro das Finanças e do Plano durante nove meses (1978-1979).
“Não houve muita gente que estivesse no poder antes e depois do 25 de Abril, mas sabe, eu não era político, nunca fui a um comício, nunca fiz parte da União Nacional, nunca fiz um discurso político. Quando veio o 25 de Abril, as pessoas aceitaram-me”, afirmou.
Num balanço dos três ‘D’ que constavam do programa do Movimento das Forças Armadas (Desenvolver, Descolonizar, Democratizar), Jacinto Nunes considera que o primeiro ainda não está completamente cumprido.
“O país desenvolveu-se muito, mas continuamos na cauda da Europa. A descolonização, fizemos, e bem e a democratização fez-se, embora a nossa democracia esteja muito mal, pessimamente”, considerou.
Na opinião do economista, o Parlamento limita-se a sancionar os diplomas do governo.
“Não conseguimos dar a volta a este país, mesmo estas reformas estruturais, não conseguimos fazê-las sem uma reforma política”, defendeu.
“Temos de mudar a lei eleitoral”, indicou, acrescentando que metade dos deputados deve ser indicada pelos partidos e os outros escolhidos localmente e que deve haver uma redução de 230 para 180 deputados.

Obs: Salazarista sem o ser - não deixa de ser curioso que até alguém que trabalhou no ancien regime registe os erros, a incapacidade e a cegueira do XIX Governo (in)Constitucional. Pobre Passos Coelho - que nem já os colaboradores de Salazar o defendem. 



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