segunda-feira

António José Seguro vai desmontar a dependência de Coelho da Europa


A circunstância de Seguro aceitar reunir-se com um PM que tem destruído Portugal mediante uma carta envenenada revela mais força de carácter do que medo.

E é imbuído nesse espírito voluntarista que Seguro deverá aproveitar o encontro com Coelho para, à saída, fazer uma conferência de imprensa e sistematizar o que pensa da estratégia de desenvolvimento para Portugal e de colocar o país no quadro da estratégia mais alargada de desenvolvimento de Portugal da Europa, sobretudo quando está em causa o próximo quadro comunitário que nos permitirá desenvolver definitivamente o país. Ou seja, Seguro deverá comportar-se como um autêntico primeiro ministro antecipado e de defender os interesses dos portugueses enquanto tal. 

A mutualização dos fundos que poderiam minorar o desemprego na Europa parece uma ideia interessante de que Seguro tem vindo a defender. Colocou a fasquia nos 7% para activar esse mecanismo e, ao mesmo tempo, transferir responsabilidades para a Europa aliviando os Estados que se confrontam internamente com esse flagelo. Desconhecemos o que o PSD de Coelho pensa desta ideia - que poderia envolver toda a União Europeia - tornando-a mais solidária, que é a componente do projecto europeu do pós guerra que mais tem desaparecido desta Europa à la carte de barroso.

Por outro lado, é muito estranho que alguns comentadores advoguem o "consenso", especialmente quando estamos no limiar das eleições europeias e, acima de tudo, porque há uma divergência estrutural entre PS e maioria acerca das opções de políticas públicas para por o país a crescer e resolver os principais problemas socioeconómicos que tolhem hoje o nosso desenvolvimento. 

Neste quadro ouvir comentadores a defender o "consenso" - como quem advoga a manutenção de águas estagnadas geradoras de bactérias e, consequentemente, de problemas de saúde pública é manifestamente hipócrita da parte desses mesmos comentadores que apenas se representam a si próprios, são profundamente cépticos, egocêntricos e não têm nenhuma capacidade de pensar Portugal além do círculo do seu umbigo. Nem vale a pena ouvir esses gramofones que repetem sempre as mesmas teorias de sebentas há décadas desactualizadas. 

Estamos, pois, diante de mais uma mise en scéne que Seguro terá de ter a capacidade de desmontar. E conseguirá fazê-lo se acertar no diagnóstico e na saída dos nossos problemas colectivos, que não se conformam com as soluções neoliberais propostas pela dupla destruidora de Pedro Coelho e Paulo portas. 

O paradoxo do presente é que as economias europeias não crescem, em particular a portuguesa, apesar dos défices orçamentais que não deviam existir e que, existindo, também não servem para corrigir as tendências de estagnação nas economias europeias, que até já atinge a economia superavitária alemã, a grande ganhadora em todo este processo. 

E será isso que Seguro deverá denunciar à saída da reunião com Coelho, ou seja, Seguro deverá rejeitar as propostas de "corte e de costura" apresentadas pela lenga-lenga do alegado primeiro ministro, que redundam em mais carga fiscal e mais AUSTERIDADE - que faz retrair ainda mais o consumo interno (que é o que precisamos) para dinamizar os negócios dos principais sectores e subsectores da economia portuguesa.

Seguro deverá denunciar a violação que a maioria fez ao acordo inicial co-assinado pelo PS, e referir que foi aí que se perdeu a magna oportunidade de acertar estratégias inter-partidárias para o Crescimento, o Desenvolvimento e a Coesão social em Portugal.

Seguro, nesta fase da sua vida pública, terá de seguir o seu caminho sem atender aos mesquinhos e partidários interesses de Passos Coelho e Portas; Seguro deverá centrar-se exclusivamente naquilo que é o interesse nacional dos portugueses e que assim é interpretado pelos milhões de portugueses que pensam nesse sentido, ou seja, o de reclamar o crescimento com coesão, que é o que mais tem faltado em Portugal desde que o XIX Governo (in)Constitucional assumiu o poder. 



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