quarta-feira

Santana Lopes e a política do pastelinho de bacalhau no American Club

Cartoon do Henrique Monteiro
Santana lopes suspendeu o seu labor espiritual para ir ao American Club dizer que o pastelinho de bacalhau e a Aldeia Velha estão já a ser confeccionados entre ele e o cds de Portas com vista à sua candidatura à CML. Foi um momento surrealista que cabe registar: ele, afinal, não gerou dívidas, só fez obra e da boa, sobretudo o túnel do Marquês de Pombal que serve as pessoas da linha do Estoril que diáriamente demandam a capital, mas depois vão pagar os seus impostos ao cofre forte do Isaltino Morais a Oeiras, que o psd de Marques Mendes não apoiou por causa dum taxista suíço que gostava de chocolates e era sobrinho do autarca modelo.
Depois o "menino-guerreiro" referiu mais umas coisinhas acerca da necessidade de comunicar bem, falando até do método quase científico de fazer política. Lembrei-me logo daquele semestre negro em que Lopes esteve encavalitado no cadeirão de S. Bento, onde também, consta, fazia a siesta. Ainda pensei que Santana desactualizasse em duas penadas as obras de Aristóteles e de Maquiavel. Tudo à boleia do referido túnel, claro está!!!
Só faltou ao pior ex-Primeiro Ministro da história da democracia em Portugal pavonear-se com a maquete de Frank Gerry que custou milhões de euros ao erário público e que o executivo autárquico socialista dirigido por António Costa teve de saldar.
No fundo, Santana funciona por ciclos:
  • Primeiro usou e abusou do nome de Sá Carneiro, como quem deseja compulsivamente apropriar-se da história sem curar de perceber que a forma como o fez culmina numa certa patologia política;

  • Depois percebeu que não poderia fazer o mesmo parasitismo político com a imagem e o nome de Cavaco Silva, porque este detesta-o e até mandou tirar a sua imagem dos cartazes onde Santana aparecia em comum na campanha das últimas eleições legislativas - que perdeu para Sócrates;

  • Como cai(ria) mal a Santana pendurar-se em Paulo Portas, líder do partido menor com quem irá fazer o contrato (ou o trato) em Lisboa, Santana agarra-se ao túnel do Marquês que serve todos aqueles que pagam impostos noutros concelhos (Oeiras e Cascais) como tábua de salvação para a sua campanhasinha em Lisboa.

Voilá, o (pobre) legado de Santana lopes.

Mas para uma pessoa que não hesitou em ser Primeiro-Ministro duma república de forma algo monárquica, não me espanta.

Contudo, o grande problema de Santana é de ordem psicológica, ou melhor, o seu drama assume uma faceta shakespeareana.

Explicito: Santana pediu o espelho de PM e a imagem devolvida foi um rosto feito de políticas em declínio; antes disso, o espelho da capital tinha mostrado três coisas: bancarrota na autarquia, caos urbanístico e megalomania e elevados índices de corrupção cujas práticas depois se prolongaram pelo mandato frágil do seu sucessor, Carmona Rodrigues.

Hoje é o mesmo santana que volta a pedir o espelho sem, contudo, se aperceber de duas coisas:

  • 1. Que as pessoas têm memória e não são parvas;
  • 2. Que o espelho devolve uma imagem pouco credível e que aquilo que o motiva nada mais é do que as sombras e o pesar que ninguém vê. Um pesar político que se avoluma em silêncio numa alma politicamente torturada.

Mas tal não impede que Santana vá ao American Club, embora desconfie que o seu verdadeiro apetite não lhe permita sequer comer o tal pastelinho de bacalhau, porque tudo, afinal, não passa de mais uma encenação.

Aliás, o American Club nem sequer serve pastelinhos de bacalhau...