segunda-feira

Cleptomania política cubana

- Sempre me interroguei o que diria hoje Che Guevara de Castro se aquele estivesse vivo e não tivesse tido igual sorte à de Humberto Delgado - mau grado a comparação, apesar de em Portugal se ter tratado duma ditadura de direita e Cuba revestir o exemplo duma ditadura de esquerda. Mas o ponto que aqui exploramos é outro, bem outro: o da cleptomania política dirigida pelo ditador que pode morrer a qualquer momento. Pode até dar-se o caso de no fim deste texto o Mundo ser premiado com uma notícia dessa natureza. Tudo é sempre um risco, até a própria vida.
- Vejamos alguns factos que consagram esta teoria da cleptomania política que aqui desenvolvemos pela 1ª vez e se ajusta ao lagarto de Havana que tem aplicado os últimos 50 anos (eu disse 50 anos...) a dourar a sua revolução nacionalista (e depois comunista).
- Alguns desses factos respondem por:
  • 1) Prisões políticas por delito de opinião, e que à década de 70 estima-se tenham sido cerca de 20 mil pessoas. Por causa do malogro da Baía dos Porcos, do seu próprio movimento revolucionário e do M-26;
  • 2) Depois da queda do Muro de Berlim - com a implosão do comunismo soviético e da distopia que ele representou desde a revolução Bolchevique de 1917 levada a efeito por Lenine - as prisões políticas acalmaram, e hoje estima-se que esse nº. de prisioneiros políticos fronteire no milhar de almas - que ainda sofrem a tortura do sono e são obrigados a circular no interior das cadeias nús, e, para aviltar mais essa degradante condição são também obrigados a receber assim os seus familiares e amigos que os visitam na cadeia;
  • 3) O fuzilamento foi o método querido pelo lagarto de Havana - especialmente, tratando-se de personalidades do regime que, a dado momento, se rebeleram contra a sua ortodoxia, como o Gen. A. Ochoa - chefe das tropas cubanas em Angola - onde infelizmente ainda está alapado outro grande ditador - que oprime as populações; o seu ex-ministro da Agricultura - Soro Marin - foi outro que provou o método do fuzilamento castrense, Luís Boitel foi outro (dirigente associativo) - entre dezenas, centenas deles que tombaram com balas na cabeça - apenas - porque discordaram do barbudo cubano e puseram em "risco" a revolução socialista cubana - uma das maiores ficções negativas do séc. XX.
  • 4) O seu mano raul é sinistro, velho, decadente, com baixo índice de Q.I. e tem também as suas mãos manchadas de sangue por actos criminosos praticados à sombra da pasta que tutela: a Defesa. O role é aqui avassalador, imparável e quem se interessa pelos detalhes macabros deste regime totalitário tropical centrado num único homem - que cultivou o carisma e uma forte personalização do poder - a ponto de a história do país se confundir com as fezes que hoje circulam pelos intestinos do ditador - inaugurando assim uma nova teoria da soberania limitada coadjuvada pelo Segredo de Estado - poderá consultar - O Livro Negro do Comunismo - escrito não por P.Pereira (ex-maoista, tal como Durão Barroso, actual mordomo-mor bruxelense) - mas por um conjunto de autores inscritos naquela capa.

- Mas onde é que pretendemos chegar com todos estes factos indesmentíveis e que são já do conhecimento da opinião pública mundial? Porventura, à teorização dum novo conceito da ciência política e que navega entre a sinistralidade e a cleptomania política.

- Ou seja, a incapacidade de Castro resistir a impulsos de roubar a liberdade ao seu povo foi tão perversa quanto intensa e durável no tempo. Não lhes roubou apenas a condição material de vida, privou milhões de homens e de mulheres desse bem supremo que é a LIBERDADE. Hoje, porventura, o ditador terá de morrer por ela... Mas já não como em 1958...

- Por outro lado, o primata de Havana fez crescer a tensão entre os que ficaram na Ilha e os que emigraram sob pena de serem regulados pelo método do fuzilamento, como quem regula o excesso de população à bala. Tudo isto para gaúdio do ditador, para sua gratificação ou alívio pensando, assim, que punia a América através da privação da Liberdade ao seu próprio povo que está alienado há décadas e que hoje pensa 20 vezes antes de dizer algo que questione o ditador ou o regime que ele dirige com mão de ferro agora a partir do Hospital.

- Poderemos chamar a esta conduta - reiterada no tempo - uma perturbação do impulso, como dizem os psiquiatras, mas há aqui, cremos, algo de mais profundo. Algo que fronteira entre a cleptomania, a piromania e o jogo patológico que tem destruído a vida de milhões de cubanos.

- É ao conjunto reiterado destas práticas que aqui desgnamos de cleptomania política cubana. E o problema é que no caso de Castro ele não adquiriu esses instinto recentemente, mas logo no take-of da revolução celebrizado num filme Havana - em 1990 - em que Robert Redford é o protagonista, e quando eclode a revolução e os canhões de guerra irrompem pelas ruas de Havana, a confusão se instala, e as prostitutas saem dos casinos meio assustadas com a dinâmica dos próprios acontecimentos, uma delas, no decurso da própria narrativa fílmica - (não se apercebendo bem do que estaria em jogo) se vira para R. Redford e lhe pergunta: blow mister???? E ele responde: Not now, not now...

- Eis o câncer que Castro deixou em Cuba e em fragmentos da América do Sul, um câncer cujo vírus terá de ser estirpado, de preferência sem os erros e intromissões do passado e com os EUA ao largo respeitando a soberania nacional daqueles pequenos países situados no seu backyard.

  • Post dedicado à Liberdade em Cuba - que esperemos seja para breve - muito breve - e ao magnífico actor que formatou a cultura fílmica da minha geração e com quem, aliás, muito me identifico: Robert Redford é uma estrela, e sê-lo-á até morrer. Apesar de pensarmos que viverá até aos 100 anos... Vida longa é o que aqui lhe desejamos.