sábado

Ainda Cunhal - no "afivelar de Máscaras" - por Fernando Dacosta -

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  • Vale a pena ler e reler o artigo de Fernando Dacosta esta semana na revista Visão. Podia até ser no Jornal do Fundão, mas é na Visão nº 641, págs. 69-71. O seu testemunho, porventura, valendo-se dos anos em que acumulou material sobre Salazar - e que com Cunhal é um testemunho que serve ao contrário - Dacosta deixa-nos um conjunto de notas para reflectir. São notas que dificilmente são captáveis pela história, pelo direito, pela ciência política. São notas colhidas da observação directa e indirecta dos acontecimentos do nosso tempo. O seu valor heurístico e seminal é fecundo para eventuais investigações que outros possam desenvolver. Daí o interesse extraordinário das breves passagens que aqui damos conta. O cinema, o teatro podem ainda vir a ser veículos priveligiados de tratar estes personagens com múltiplas máscaras que moldaram o séc. XX, mas não deixaram nenhuma semente para o séc. XXI. Eis o drama, espécie de Holocausto e de Gulag que um e outro - mediante sombras - nos deixam. São homens que nos obrigam a olhar para traz, ofuscando-nos o futuro. Gandhi, J. F. Kennedy, W. Churchil são, ao invés, homens que nos obrigam a encarar o horizonte e a construir um zénite. São homens de futuro. Mas vejamos as notas de Fernando Dacosta.
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A dada altura do seu artigo - O Último Príncipe (pág. 71) refere:
  • Álvaro Cunhal passa a dominar, como poucos entre nós, a técnica da sedução e da imposição, do convencimento e da propaganda. Tudo imaginou, arquitectou, construiu, dirigiu: gestos, palavras, marcações, timings, marketings , distanciamentos, austeridades, inacessibilidades. Encenou-se, ainda jovem, para o anti-salazarismo, mas não se encenou (quem o fez foi Mário Soares) para o pós-comunismo. Frequentou os salões do estalinismo, não as caves - por isso, não se apercebeu (a ser verdade) dos campos de concentração e extermínio, nem do massacre de milhões de russos. Ser auto-suficiente tornou-se-lhe uma obsessão. A necessidade de sobrevivência obriga-o, na clandestinidade, a usar pseudónimos, a afivelar máscaras, a vestir identidades, a ficcionar-se, a inventar-se, sob diferentes formas e comportamentos. A postura severa, o ar altivo que adoptou, correpondiam ao modelo tradicional do grande governante, do Poder-Pai (Staline, Salazar), vigente no nosso inconsciente. O diamante e o aço representam, segundo os iniciados (era Escorpião com ascendente de Carneiro), a sua têmpera.
  • Enfim, Cunhal não aceita ser um homem comum, diz Soares. Dacosta aproveita o que aprendeu de Salazar e recria agora em Cunhal. Defendemos aqui, já noutro blog, que Salazar foi um dos principais aliados (indirectos) de Cunhal, e de Soares, embora em menor intensidade. Era o catalizador comum que os fez beijar à chegada a Stª Apolónia... Foi um beijo bonito, em que o aluno beija o seu professor, mostrando o respeito dos tempos. Depois foi o fosso entre ambos, com a radicalização sovietista de Cunhal - não deixando nenhum legado para os tempos vindouros - que mais se poderíam chamar - novos gulags sociais e económicos...
  • Eis o drama do nosso tempo, um pouco reflexo do que se vive em todo o Continente africano: há (algumas liberdades civis e políticas) mas vive-se na miséria. A economia mata-nos... Quando era suposto fazer-nos viver. Não é isto estranho? Ou melhor, absurdo!?
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Breves notas:
1) Como é bela - belíssima - a filha de Cunhal... Vendo a filha fica-se com a vontade de conhecer a mãe. Nisso Cunhal acertou!!! Também não podia falhar em tudo.. 2) Depois gostaria de saber o pensaria hoje - se tal fosse possível - Fernando Pessoa de Cunhal... Presumo, que que Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e até Bernardo Soares ficariam estarrecidos - com tanta heteronímia.. Uma Assembleia de heterónimos, porventura, hoje não bastariam para enquadrar Cunhal à luz da (re)criação poderosa pessoana. Fica, portanto, o desafio investigatório à comunidade pensante. Ou a que se julga como tal. Sem máscaras...
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O método de Fernando Dacosta com As Máscaras de Salazar poderia ser um bom recomeço para abrir uma nova linha de investigação sobre Cunhal. É que os livros do Pacheco são muito históricos, e a lente ideológica dele também não ajuda na distanciação e neutralização que os factos históricos exigem para serem lidos com a maior isenção possível. Será como no blog?! É que se for, não valerá a pena. Resta-nos os artigos do Público, para quem os lê, evidentemente!