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José Sócrates classifica o livro de Cavaco Silva como um auto-retrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no caráter de um político

Resultado de imagem para cavaco desmaiaNota prévia: Como PR a desgraça social, política e institucional de cavaco agravou-se diante dum país que só o queria ver pelas costas. Mesmo agora, na sua fase pós-política.  

Grosseiramente, o que fez cavaco em Belém:

- Violou grosseiramente a Constituição que jurou defender, pondo-se do lado do psd, seu partido de sempre, em vez de assegurar a imparcialidade e isenção no jogo político presidindo à república em nome de todos os portugueses; 
- Condicionou o estatuto dos Açores
- Não vetou leis que eram inconstitucionais, sobretudo com impacto social grave e que fez disparar a pobreza, a criminalidade e até a emigração (que não foi apenas "obra" do governo de Passos);
- Alheou-se da defesa dos portugueses sem voz, pondo-se do lado do banqueiro, Ricardo Salgado (do BES), de quem foi amigo e beneficiou sempre dos seus apoios financeiros em contexto de campanhas eleitorais; 
- Protegeu a alta corrupção praticada no BPN, de que tinha acções e uma rede de relações pessoais que serviram, essencialmente, para financiar o psd e colocar boys na Administração e fazer negociatas para enriquecer os seus amigos, em que pontifica um seu ex-conselheiro de Estado, dias loreiro, e assim lesar seriamente os interesses do Estado. 

As tropelias que cavaco fez à República, que desconsiderou ao não a representar por ocasião do 5 de Outubro, e aos portugueses foram tantas e de tamanha gravidade que foi a Mãe-Natureza que se foi encarregando de o crucificar e envergonhar diante da opinião pública (e publicada): primeiro desmaiou em público, em Elvas, doença a que os experts designaram de "reacção vagal"; depois, cavaco foi o PR com menos aceitação e de capital de simpatia pelos portugueses do pós-25 de Abril. 

Nem Américo de Tomás foi tão mau e saiu do Palácio de Belém pela porta baixa e com tão baixos índices de aceitação popular...

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José Sócrates classifica o livro de Cavaco Silva como um auto-retrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no caráter de um político., in RTP

Sócrates acusa Cavaco de "conjura baseada numa história falsa" para derrubar o seu Governo.

E acrescenta que ficou provado que o ex-Presidente tentou deitar abaixo um Governo legítimo em funções: "O que se passou foi, tão simplesmente, isto: pela primeira vez na história democrática do país ficou provado que um Presidente concebeu e executou uma conjura baseada numa história falsa, por forma a deitar abaixo um Governo legitimo em funções".

O antigo primeiro-ministro escreve ainda que o ex-Presidente da República não tem moral para dar lições de lealdade institucional, porque na crise política de 2011 foi sempre "a mão por detrás dos arbustos".

Numa carta enviada à TSF na noite de sexta-feira, o antigo primeiro-ministro aborda a questão das escutas a Belém, cuja responsabilidade o ex-Presidente Cavaco Silva - no livro "Quintas-feiras e outros dias" - atribui ao PS.

No livro, apresentado na quinta-feira, Cavaco Silva escreve, sobre as acusações de que o gabinete de José Sócrates teria feito escutas ao Palácio de Belém, que se tratou de uma "intriga política insidiosa, criada e alimentada por setores do PS com a participação ativa de alguns órgãos de comunicação" para o envolverem na campanha das legislativas de 2009.

"Por mais desprezo que sinta - e sinto - por tal estilo e por tal literatura, não posso consentir que tal deturpação da verdade fique sem resposta", escreve Sócrates.

"Ponho de lado as vulgares opiniões políticas expressas no livro pelo autor, que, aliás, sempre me enfastiaram. Ponho igualmente de lado outras conversas, na sua maioria distorcidas e falsas, que não passam de vulgar exercício de mesquinhez disfarçado de relato histórico. Mas não posso pôr de lado, pela sua importância e pelo que tem de paradigmático, o inacreditável relato que faz do chamado 'episódio das escutas ', sem outro propósito que não seja o de distorcer e falsear a verdade histórica", afirma.

Segundo o ex-primeiro-ministro, depois de Cavaco Silva se ter recusado desmentir a notícia das escutas que "sabia ser falsa", Sócrates insistiu: "A notícia das escutas era pessoalmente ofensiva e, estando o país em campanha eleitoral, tinha provocado sérios prejuízos ao Partido Socialista, podendo ter sido evitados se o Sr. Presidente da República a tivesse desmentido. Agastado, o Senhor Presidente entendeu lembrar-me que estava a falar com o Presidente da República. Respondi que nunca me esquecia disso, mas que estava ali a falar-lhe como primeiro-ministro, eleito democraticamente e contra o qual se tinha lançado uma falsa e maldosa campanha para que perdesse as eleições. A conversa ficou por aí."

Mais tarde, diz Sócrates, "soube-se a verdade", através de um e-mail que "permitiu saber que tais notícias tinham sido transmitidas a um jornalista pelo principal assessor de imprensa do Senhor Presidente da República". Quando o assessor, Fernando Lima, publicou as suas memórias, confirma a situação, escrevendo "Recebi uma indicação superior para o fazer", recorda.

Assim, "custa acreditar na perfídia que a recente versão do livro contem", afirma Sócrates, citando um excerto onde é dito que as notícias sobre as escutas teriam sido intencionalmente colocadas na imprensa pela "tenebrosa máquina de propaganda do PS" para afetar a credibilidade do Presidente.

No livro, Cavaco Silva descreve o antigo primeiro-ministro, dizendo que "sabia que o fingimento era uma das suas características", critica a sua "tendência arrogante e agressiva face à oposição" e acusa-o de ter "grande dificuldade em se adaptar à perda da maioria absoluta".

"Nunca nenhum Presidente ou primeiro Ministro relatou as conversas tidas entre ambos enquanto exerceram funções. Há boas razões para isso, que vão da boa educação até ao necessário sentido de Estado. A avaliar pelos relatos públicos e bem vistas as coisas, o livro agora publicado é um autorretrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no caráter de um político", responde Sócrates.

O antigo líder do Governo termina a carta dizendo que "a única preocupação do Sr. Presidente era aquela que revelou na noite da sua reeleição: vingança e desforra" e que o seu discurso de tomada de posse "foi o sinal de que a direita precisava para atirar o governo abaixo e provocar eleições".

"Na Assembleia da República, e pela primeira vez na história democrática, chumbou-se um acordo e um compromisso com as instituições europeias que um governo legítimo tinha conseguido para que o país não fosse forçado a pedir ajuda externa. O Presidente da República de então não tem moral para dar lições de lealdade institucional. Na crise política de 2011, ele sempre foi a mão por detrás dos arbustos", conclui.


c/ LusaPartilhar o artigo Sócrates duro na resposta às críticas do livro de Cavaco

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