terça-feira

Herberto Hélder - o Poeta Mistério e o "homem dos sete ofícios"

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- Sublinho que alguns grandes poetas portugueses foram redatores de Publicidade, entre os quais destaco Fernando Pessoa, Alexandre O´Neill. 
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Herberto HelderHerberto Hélder - o Poeta Mistério e o "homem dos sete ofícios"


Regressado a Lisboa, teve o seu primeiro emprego, por pouco tempo, na Caixa Geral de Depósitos. Foi angariador de publicidade, mas em 1954 regressou à Madeira para exercer a profissão de meteorologista. Também esse novo emprego seria de pouca duração, pois logo no ano seguinte regressou a Lisboa, sobrevivendo na propaganda farmacêutica, e como redator de publicidade.
Vivendo com o mínimo de recursos, Herberto Hélder sentia-se realizado como um assíduo frequentador do Café Gelo, onde se associava a uma espécie de tertúlia informal ali "residente", constituída por nomes como António José Forte, Hélder Macedo, João Vieira, Mário Cesariny e Luiz Pacheco.
Aos 28 anos publicou "O Amor em Visita", o seu primeiro livro. Durante os três anos seguintes vagueou pela Europa, vivendo em França, Bélgica e Holanda. Sentiu a clandestinidade, nomeadamente em Antuérpia, onde sobreviveu como guia de marinheiros no circuito dos prostíbulos daquela cidade portuária. Mas no seu cardápio profissional, enquanto emigrante clandestino, constam outras profissões, tão estranhas como cortador de legumes numa casa de sopas, policopista, empacotador de aparas de papel para reciclagem, empregado de cervejaria, ou operário numa forja.
Em 1960 foi forçado a regressar a Portugal, prosseguindo a sua vida itinerante, agora como bibliotecário nas carrinhas da Fundação Gulbenkian, percorrendo vilas e aldeias da Beira Alta, Ribatejo e Baixo Alentejo. Como encarregado das bibliotecas itinerantes, Herberto Hélder aprofundou o gosto pela poesia, e publicou então os livros "A Colher na Boca", "Poemacto" e "Lugar". Entrou para a Emissora Nacional em 1963, como redator do noticiário internacional, mas permaneceu ali apenas cerca de um ano. Tempo bastante para publicar "Os Passos em Volta" e "A Máquina de Emaranhar Paisagens".
Após ter abandonado a Emissora Nacional, empregou-se nos serviços mecanográficos de uma fábrica de loiça, em 1964, envolvendo-se na organização da revista "Poesia Experimental". Em 1968, já funcionário da Radiotelevisão Portuguesa, envolveu-se na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, que o arrastou para um processo judicial, onde seria condenado, e despedido. De novo desempregado, voltou à publicidade, e mais tarde diretor numa editora. Nesse ano publicou quatro livros: "Apresentação do Rosto", suspenso pela censura; "O Bebedor Nocturno" e ainda "Kodak" e "Cinco Canções Lacunares".
Manuel Teixeira
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