quinta-feira

A carta de Sócrates na íntegra. Da prisão preventiva

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Obs: Ainda que o ex-PM tenha e deva explicitar a causa de factos relevantes perante a justiça, de que tem vindo a ser acusado e com flagrante violação do segredo de justiça, um crime que parece ser apadrinhado pelo MP e conexos, importa registar os seguintes comentários:

1. Que as notas constantes da carta de JS têm (lamentavelmente) respaldo na realidade, quer no que se reporta aos jornalistas, aos operadores judiciais, aos académicos e juriconsultos e aos agentes políticos em geral. Tenho pena que, ainda na qualidade de PM, o próprio JS não se tenha lembrado de todos esses disfuncionamentos e, com os instrumentos políticos e legislativos de que então dispunha, não tenha legislado no sentido de corrigir esses desvios à norma, designadamente à vergonhosa e recorrente situação das fugas de informação/violação do segredo de justiça que brotam do Ministério Público para alguns jornalistas que compram essas informações, e as pagam em dinheiro, elogios e outro tipo de favores que configuram uma outra modalidade de corrupção, a qual, por sua vez, vai alimentar o bolo geral da grande corrupção em Portugal. 

2. A forma como o MP está a alimentar este corsi e ricorsi nos actos que informam os alegados crimes por que JS está indiciado, também é sintomático de tudo o mais: primeiro, foi referido que só era indiciado de corrupção passiva para acto ilícito, agora, de forma algo terrorista e a conta-gotas, para contaminar a opinião pública - veicula-se mais uma nota afirmando que, afinal, o detido também é indiciado do crime de corrupção activa. Enfim, trata-se duma estratégia elaborada a conta-gotas para entalar o detido na bossa do camelo da justiça e, perante a opinião pública, agastá-lo psicológica e moralmente, destruindo-lhe o carácter perante tudo e todos. Será que isto é justiça?! Não creio.

3. A questão nuclear que Sócrates se coloca, no final da sua carta, quem guarda os guardas - já é antiga e foi recentrada por Platão, e desde então nunca recebeu resposta à altura, e, hoje, em Portugal, com os processos de investigação dos submarinos e o degradante caso Tecnoforma ou vistos Gold - a ficarem no limbo, e outros processos a ganharem velocidade de cruzeiro - tudo permite extrair aos portugueses, ou a alguns deles que não pensam com os pés, algumas conclusões acerca da idoneidade, rigor e imparcialidade com que ela, essa meretriz de luxo que é a Justiça, é feita entre nós. 

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