segunda-feira

Vitor Bento: O fã nº 1 da expressão "viver acima das possibilidades"

Vítor Bento

O fã nº 1 da expressão "viver acima das possibilidades"

 | Sexta, 4 de Julho de 2014
Economista ortodoxo, Vítor Bento repetiu vezes sem conta que Portugal vive acima das suas possibilidades

Economista ortodoxo, Vítor Bento repetiu vezes sem conta que Portugal vive acima das suas
possibilidades / Nuno Fox Vítor Bento é um economista ortodoxo. É leitor (e escritor nas horas
vagas) de poesia - mas age como um racionalista puro. E isso vale-lhe elogios e apupos. 

O quedefende está longe de ser politicamente correto - exceto para quem pensa como Pedro
PassosCoelho. Ainda ontem, na reunião do Conselho de Estado, criticou a ideia de reestruturar a 
dívida pública: sempre defendeu que nem um "perdão" muda o problema, que se mantém enquanto
o país gerar défices.   Defendeu a teoria da desvalorização interna, que esteve subjacente ao
programa acordado com a troika. Afirmou logo no início da intervenção que o melhor seria haver
descidas de salários, não só por uma questão de competitividade mas porque seria a única forma
de combater o desemprego (descer o preço em vez de a quantidade de trabalho). E disse milhares
de vezes - antes, durante e depois da intervenção - que em Portugal se vive acima das 
possibilidades, forma coloquial como os economistas tipicamente definem défice externo. Na sua
repetida opinião, Portugal não tinha alternativa de política macroeconómica.

Foi um crítico da governação de José Sócrates, sempre no seu estilo argumentativo mais do que
exclamativo. É, também por isso, tipicamente criticado pela esquerda política. Mas apreciado
não só pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que o convidou para o Conselho de Estado, 
como por Pedro Passos Coelho. Vítor Bento foi a primeira escolha, em 2011, para ministro das
Finanças. Recusou. Seguiu-se Vítor Gaspar. 
O alinhamento no pensamento económico com o PSD (Vítor Bento foi dos poucos defensores da
célebre medida da TSU, que em setembro de 2012 criou uma onda de polémica que a derrubou)
não é no entanto total. Hoje, Vítor Bento considera que a intervenção da troika e a governação
de Pedro Passos Coelho falhou na criação de condições de concorrência, uma vez que se mantêm
rendas excessivas na economia e privilégios de grandes grupos económicos.
Vítor Bento tem 60 anos e além de membro do Conselho de Estado, é presidente da SIBS, empresa
que gere os pagamentos eletrónicos. Entre maio de 2006 e abril de 2008 presidiu à Associação
para o Desenvolvimento Económico e Social. Foi presidente do Instituto de Gestão de Crédito
Público, diretor-geral do Tesouro, diretor do departamento de Estrangeiros do Banco de Portugal
e vogal do Instituto Emissor de Macau. É licenciado em Economia pelo Instituto Superior de
Economia e Gestão.
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Obs: A troika fez recomendações no sentido das críticas de Vítor Bento. Críticas e recomendações que o XIX Governo (in)Constitucional - na sua habitual teimosia - não acatou, por isso o problema da concorrência em Portugal se agravou, e o exemplo que V.Bento dá relativamente às várias EDPs que por aí proliferam e, impunemente, reforçam interesses e posições corporativas na economia nacional, fazendo até baixas no governo (veja-se o que sucedeu ao ex-secretário de Estado da Economia quando tentou levar a EDP a baixar as taxas energéticas) acabam por fragilizar a posição do alegado Primeiro Ministro e, indirectamente, corporizar as críticas da oposição acerca de um governo que apenas "sabe governar" pela via simples e destruidora do aumento de impostos.

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