sábado

Rotação de elites bancoburocráticas: Vítor Bento, Moreira rato e Jaime Gama



Algo parece estar a alterar o método de recrutamento das elites para funções de relevo na alta finança em Portugal. Sucede, porém, que essas situações não nascem por vontade própria, não são espontâneas mas geradas pela pressão das circunstâncias - tristes e lamentáveis (porque envolvem questões de legalidade) - que ocorrem com o desmoronamento público da coesão da família Espírito Santo que tem afectado as instituições do grupo e desvalorizado as acções em bolsa.

Depois de terem caído vários nomes na praça pública para substituir Ricardo Salgado, emerge um ex-convidado a ministro da Finanças e actual presidente da SIBS, o economista Vítor Bento. E sobre esse nome (...) vários analistas e responsáveis do sector bancário ouvidos pelo PÚBLICO consideraram Vítor Bento, de 60 anos, uma “boa escolha”, ainda que se trate de uma solução de banqueiro “não clássica” pois o economista nunca trabalhou na banca.

Ou seja, Vitor Bento recusou a pasta das Finanças para servir o Estado - a convite do actual PM, Passos coelho, mas decidiu aceitar substituir  Ricardo Salgado à frente de um banco, que se encontrava em fim de mandato e numa delicada situação pessoal à frente do BES. Isto não deixa de ser curioso: um economista de prestígio, também conselheiro de Estado, entender que é mais relevante assumir a direcção de um banco mandatado pelos seus accionistas do que servir o bem comum através da importante pasta das Finanças. 

Não quero crer que a decisão se tenha ficado a dever à remuneração, melhor no sector privado do que servindo o Estado e em prol do bem comum de que falava Aristóteles. Pelo menos, se tivesse aceite o convite para a pasta das Finanças - não teria conseguido fazer pior do que Vitor Gaspar, pela simples razão de que pior seria impossível. 

Movimento semelhante é feito por Moreira Rato, que será o administrador financeiro do novel presidente do BES, e que está à frente do IGCP, a agência que gere a dívida pública, desde Agosto de 2012. Ou seja, Rato desloca-se do Estado para o sector privado. Questão delicada, pois quem guarda tantas informações sensíveis dentro do aparelho de Estado - não deveria passar por um período de nojo para poder assumir relevantes funções no sector privado?! 

E de que forma estas movimentações podem (ou não) desvirtuar a concorrência no sector bancário em Portugal...

Mais surpreendente, ou talvez não, tenha sido a nomeação de Jaime Gama para a presidência do BES Açores. Jaime Gama deverá assumir a presidência do conselho de administração do BES Açores, substituindo, Augusto Ataíde, que faleceu no final de Fevereiro. [...]

Quererá isto dizer, como se lê por aí, que se passou duma era de banqueiros, de que o exemplo de Ricardo Salgado não tem par em Portugal, para uma era de "managers"?! Ou seja, que o poder finalmente se transferiu para uma nova elite de altos gestores que irão fazer tudo diferente...

As circunstâncias, mais uma vez, impedem que se extraia essa conclusão de aviário, como alguns já escreveram, ao estilo de sound bytes para obter muitos likes no Facebook, no rasto, aliás, da habitual alienação de quem escreve sobre tudo e não sabe nada em concreto. Se calhar é por isso que insiste no padrão de conhecimento de plástico "facebookeano". 

Veremos, doravante, o que fazem estes "novos velhos homens" do poder instituído, pois recordamos que Vítor Bento é um homem de Belém, Rato (o do IGCP, porque há outro Rato na FLAD...) é um homem da mulher que está no Terreiro do Paço (logo, da equipa do volátil Gaspar que destruiu a economia nacional) e Jaime Gama, além de maçon é já um velho senador da política portuguesa e adepto do bloco central dos interesses - que sabe tanto de banca como Cavaco de hermenêutica acerca d´ Os Lusíadas.

Será isto a novidade que corporiza a transferência do Poder para uma nova elite mais managerial?! É óbvio que não. Só na cabeça de alguns maçons mais ressabiados essa análise de pacotilha poderá vingar, mas não encontra suporte algum nos factos. Nestes factos e nestas circunstâncias.

Contudo, estas movimentações conjunturais, forçadas pelo BdP e decorrentes de questões legais agravadas com o desmoronamento acelerado da família Espírito Santo, que há anos está numa luta intestina pela posse do poder no grupo, revela, afinal, que a história é um cemitério de aristocracias  que, ciclicamente, se vão sucedendo à frente das instituições bancoburocráticas mais relevantes em Portugal e que, nos momentos mais críticos, vão condicionando e aprisionando o Estado nas suas tomadas de decisão. 

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