terça-feira

Uma década de Facebook: um balanço positivo


O advento das redes sociais na sociedade civil representa um factor de mudança radical para as relações interpessoais, interempresariais e, naturalmente, constitui uma mudança radical para a governação no plano global, regional, nacional e local.

A esta luz, a evolução da democracia implica descobrir a forma de balancear o imenso poder de participação das redes sociais e a legítima autoridade governativa necessária para garantir o bem comum a longo prazo. 

A mudança operada ao nível da instância do poder actualmente em curso foi eficientemente descrita por um dos seus fundadores, Mark Zuckerberg na sua missiva com a oferta pública de venda dirigida aos investidores do Facebook antes de a empresa ser cotada em bolsa. 

Embora não sendo um génio, M. Zuckerberg esperava conseguir várias coisas ao mesmo tempo. A saber: mudar a forma como as pessoas se relacionam com os seus governos e instituições sociais.

Acreditar que, ao criarmos instrumentos capazes de contribuir para a partilha entre as pessoas, é possível gerar um diálogo mais sincero e transparente em torno do Estado que conduza a uma mais directa capacitação das pessoas, uma maior responsabilidade dos funcionários e a melhores soluções para alguns dos maiores problemas do nosso tempo. 

Ao darmos às pessoas capacidade para partilharem, começamos a vê-las fazerem ouvir as suas vozes numa escala diferente da que até então fora historicamente possível. Ou seja, estas vozes - que não tiveram voz durante décadas - irão aumentar em número e em volume. Esta alteração de quantidade representa uma alteração qualitativa relativamente à forma de fazer política, negócios e incrementar a cidadania global. 

Com o passar do tempo, espera-se que os governos também tenham mais capacidade de resposta aos problemas colocados pelas sociedades relativamente às questões e aos problemas directamente levantados pelos povos, em vez de o fazerem através de intermediários controlado por uma minoria restrita. 

Numa palavra: a plataforma Facebook incrementou uma revolução de hábitos, de intenções, de energias, de planeamento de actividades e de gestação de ideias e de projectos verdadeiramente sem precedentes na história da comunicação instantânea. 

A solidez das mega-multinacionais, o egocentrismo das grandes personalidades políticas mundiais, a percepção do poder em torno dos super-Estados relativisou-se por acção crescente dos fluxos de comunicação em tempo real percorridos nos circuitos do FB - que vieram consolidar a era da conectividade entre vozes recém-capacitadas para a comunicação e a acção, cujas vantagens são largamente superiores às desvantagens, e que vieram refazer os fios da autoridade, do poder, da influência - cultural, social, política - de uns sobre os outros e, por essa via, criar os fundamentos que irão tecer os novos padrões de comunicação e poder entre os homens neste mundo cada vez mais pequeno.

Contudo, toda essa parafernália não significa que os homens passem a ser melhores, mais solidários e bondosos entre si. O reconhecimento deste facto, não deixa de ser, contraditoriamente, um dos maiores paradoxos do nosso tempo. 

Um tempo que sinaliza 10 anos de vida à rede da redes. 



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