quinta-feira

Integramos todos o mesmo problema, o mesmo planeta


O homem é o  único ser que sabe que há futuro e que sabe que vai morrer, mais tarde ou mais cedo. Mas ter essa noção não é condição suficiente para que o futuro passe a ser mais amistoso para com o homem. O futuro é, assim, algo que tem - e deve - ser imaginado antecipadamente a fim de diminuir a incerteza que, um dia, nos irá matar a todos, de forma sucessiva e mais ou menos espaçada no tempo. Mas pode não ser exactamente assim. O futuro está sempre em aberto, para o melhor e para o pior. 

Até aqui fazemos todos parte do problema, embora o ideal seria integrarmos todos a parte da solução. E aqui esbarramos com as divergências de políticas públicas, de estratégias e de medidas que os Estados equacionam para resolver os grandes problemas ambientais do nosso tempo. Aquilo que uns querem (diminuição das emissões de CO2 para atmosfera, por ex.) é rejeitado por outros. Por regra, quem rejeita tem o poder de o fazer, porque tem mais riqueza e mais poder à escala global. Os EUA, são o exemplo desse paradigma invertido que, em vez de dar o exemplo, comporta-se como um novo bárbaro nas conferências internacionais sobre Ambiente e sustentabilidade. 

Parece que alguns actores descuram o óbvio. E o óbvio, na actual relação do Homem com o Planeta, e nas consequentes mudanças climáticas que alteram substancialmente o nosso modo e qualidade de vida, é reconhecer que há minúsculas alterações que parecem insignificantes, mas podem estar  a transformar o nosso ambiente precisamente quando a nossa última tentativa de mudança está em vias de fracassar. 

Sabemos hoje que tudo está relacionado com tudo, mesmo quando não compreendemos as ligações que justificam esse carácter sistémico do mundo em que vivemos. E se é assim, é porque há um padrão emergente de possibilidades, i.é, somos verdadeiramente responsáveis pela criação do nosso futuro comum.

A este respeito, é útil integrar uma reflexão de M. Wheatley, quando afirma:

Nas nossas explorações do passado, era tradicional descobrir-se algo e em seguida formular esse algo em respostas e soluções que poderiam ser amplamente decalcadas. Mas agora iniciámos um percurso de exploração mútua e simultânea. Não podemos esperar respostas. As soluções, como nos ensina a realidade quântica, são eventos temporários, específicos de um contexto, desenvolvidos através da relação de pessoas e circunstâncias. Neste novo mundo, nós e vós vamo-nos realizando à medida que avançamos, não porque nos falte competência ou capacidades de planificação, mas porque é esta a natureza da realidade. A realidade muda de forma e significado devido à nossa actividade. E é constantemente nova. É-nos pedido que estejamos aqui e participemos activamente. Isto não pode acontecer sem nós e ninguém o pode fazer por nós.
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Refª:

Margaret Wheatley, Leadership and the New Science: Learning about Organization from a Disorderly Universe, San Francisco, Berrett-Koehker, 1994.


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