quarta-feira

Catástrofes naturais em Portugal



Dizia algures uma senhora de senso comum que o mar vem agora buscar o que os homens lhe andam a tirar há anos. Como que a explicar que o mar faz das suas e vinga-se das maldades que o Homem tem feito à Natureza, designadamente através do modelo de desenvolvimento económico que exaure os recursos naturais e provoca o aquecimento global do planeta que conduz, por sua vez, à destruição da camada de ozono tão necessária para manter os níveis de temperatura ideal do planeta. 

Neste sentido, há dois ou três aspectos críticos que precipitam as catástrofes naturais no nosso tempo: o excesso de população a viver em locais de risco; o deficiente uso que damos ao solo; e as mudanças climáticas. Se o diagnóstico estiver correcto, assente nestes três condicionamentos, mais facilmente chegamos às formas e às metodologias e tecnologias capazes de diminuir o impacto dos efeitos das catástrofes naturais entre nós, tomando por certo que o risco nunca pode ser eliminado ao grau ZERO. Ou seja, o risco é e será sempre uma possibilidade.

Os eventos extremos dos últimos dias em Portugal, um pouco por todo o país, de Norte a Sul, atingindo especialmente as zonas ribeirinhas que circundam a orla costeira, vem demonstrar que os ventos extremos e as marés mais fortes podem condicionar, com elevados prejuízos, a nossa vida em terra. Por vezes, com baixas humanas à mistura.

Nos últimas 30 anos, verifica-se que os prejuízos subiram em todo o mundo, segundo indicações de organizações que monitorizam estes eventos extremos. Quando em 2005 o furacão Katrina atingiu a costa Oriental dos EUA, os prejuízos rondaram cerca de 200 ME. 

E é aqui que os experts se manifestam e defendem que as alterações climáticas estão na origem da intensificação desses eventos extremos. Doutrina, aliás, defendida ao nível dos painéis intergovernamentais que estudam essas alterações, as quais implicam a subida da temperatura média do ar e dos oceanos decorrente do degelo nos polos, o que provoca a elevação dos níveis dos mares. É, aliás, um circuito de processos mais ou menos mecânico já conhecido de todos nós.

Em Portugal, com excepção das cheias/inundações, dos fogos florestais, das secas e de algumas ondas de calor - temos escapado aos efeitos mais radicais dos eventos extremos, como ocorrem no sudeste asiático e noutras partes do mundo, mais expostas aos riscos de catástrofes naturais. 

Todavia, ressalto aqui duas datas que representam dois marcos fatídicos na sequência de eventos extremos em Portugal: um, em 2003, com uma brutal onda de calor que terá sido responsável por duas mil baixas - agravada pelos fogos florestais desse mesmo ano. Ambos foram os eventos extremos que mais impacto tiveram entre nós. Sete anos depois, em 2010, na ilha da Madeira, somou-se as cheias que mataram dezenas de pessoas e provocaram milhões de euros de prejuízos materiais.

Noutra categoria de evento extremo, as secas também provocaram danos em 2004 e em 2006 - que atingiram partes do território de Portugal continental de forma severa. 

Parece que a resposta a este tipo de desafios da natureza é tão complexo quanto impossível de realizar. Mas, na verdade, e tomando por adquirido que nunca se pode rebaixar o risco ao grau zero, é a gestão ambiental e a mitigação de políticas públicas - de ordenamento do território, utilização correcta do solo, entre outras políticas e medidas de prevenção - que se assegura a manutenção das condições de vida sustentável do nosso planeta.

Afinal, os desastres naturais resolvem-se com uma mais eficiente gestão ambiental e com uma nova filosofia de acção capaz de integrar sistemas de prevenção com a gestão ambiental a fim de preservar cada ecossistema e evitar danos no futuro.

Resta saber o que as nossas autoridades públicas com competência na matéria estão a fazer, o que podem fazer e, acima de tudo, o que estão dispostas a aprender com aqueles países que vivem permanentemente nesses anéis de instabilidade terrestre e marítima geradores dos cataclismos do nosso tempo. 

Os quais são inevitáveis, mesmo quando são previsíveis. 

Os recentes eventos extremos ocorridos em Portugal demonstram, entre outras cosias, a urgência em montarmos um sistema de prevenção em estreita articulação com as medidas de gestão ambiental e ordenamento do território (pondo de parte as "capelinhas" dos vários municípios em Portugal que bloqueiam boa parte do processo por razões alheias ao bem comum) a fim de criar um verdadeiro sistema de prevenção de catástrofes naturais entre nós. 

Para o efeito, urge criar um sistema nacional de previsão de CN que - em contacto com outros países, instituições e mecanismos de cooperação - possa garantir mais e melhor a protecção de pessoas e bens em Portugal. .

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UMA VISÃO MAIS OU MENOS REALISTA ACERCA DA POSSIBILIDADES DE CASTÁSTROFES NATURAIS EM PORTUGAL

Sismo irá matar entre 17 mil a 27 mil pessoas em Portugal (vídeo) LINK




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