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Para Bill Gates, a tecnologia não é uma prioridade

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Para Bill Gates, a tecnologia não é uma prioridade



Há muito que o fundador da Microsoft anda a gastar milhões (e a convencer outros multimilionários a fazer o mesmo) em projectos de saúde e educação. Ao jornal britânico Financial Times, Bill Gates afirmou que a tecnologia está longe de ser uma prioridade global.
“Seguramente adoro as tecnologias de informação. Mas quando queremos melhorar a vida das pessoas, temos de lidar com coisas mais básicas, como a sobrevivência infantil, a nutrição infantil”, observou numa conversa com aquele jornal. “A inovação é uma coisa boa. A condição humana – pondo de lado o bioterrorismo e alguns detalhes – está a melhor por causa da inovação. A tecnologia é fantástica [mas] não vai chegar às pessoas que têm mais necessidades num espaço de tempo sequer próximo do que quereríamos”.
 
Já noutras ocasiões Gates tinha criticado grandes empresas que estavam focadas em alargar a cobertura de Internet, em vez de olharem para necessidades mais básicas das populações dos países em desenvolvimento. Numa outra entrevista, criticara o projecto do Google para colocar naqueles países balões capazes de fornecerem acesso à Internet. "Quando se está a morrer de malária, suponho que se possa olhar para cima e ver o balão, e não percebo como é que isso possa ajudar", afirmou em Agosto à revista americana Business Week. Também o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, encabeça um projecto para estender a conectividade a pessoas que ainda não estão ligadas. 
 
Questionado sobre se a conectividade via Internet é mais importante do que uma vacina para a malária, Gates respondeu: “Como uma prioridade? É uma piada.” E acrescentou, num tom que o jornal descreve como sarcástico: “Vejamos isto da vacina para a malária, esta coisa esquisita em que eu estou a pensar. Hmm, qual é mais importante, conectividade ou vacina para malária? Se acha que a conectividade é o elemento chave, tudo bem. Eu não acho”.
 
A fundação que Gates gere com a mulher, a Bill & Melinda Gates Foundation, tem entre as prioridades a descoberta de uma vacina para a malária e a erradicação da poliomielite, uma doença que existe apenas em alguns países da África e Ásia. Para além disso, através de um projecto chamado Giving Pledge, tem convencido vários outros multimilionários a assumir o compromisso público de doar pelo menos metade das suas fortunas para actividades de filantropia.
 
Num outro momento da conversa, Gates diz que se pode olhar para os centros da Infosys em Bangalore (uma grande empresa indiana de tecnologia), mas também se deve atentar no que acontece a pouca distância, no “tipo que vive sem casa de banho, sem água corrente”. O comentário foi feito quando Gates recordava ter conversado com o economista Tom Friedman, autor dobest-seller sobre a globalização O Mundo É Plano, na altura em que este escrevia o livro. “O mundo não é plano”, disse agora Gates ao Financial Times. E os PC, nos quais a Microsoft montou o seu negócio, “não estão, na hierarquia das necessidades humanas, nos cinco primeiros degraus”.

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