quinta-feira

Os partidos políticos e a democracia local ou de proximidade. Mendes não acerta uma...

A recente crise na autarquia de Lisboa, por força dos elevados índices de corrupção praticados - alegadamente - por parte dos vereadores, entretanto constituídos arguídos, levou à convocação de eleições intercalares em Lisboa. Mas daqui nasceu outro problema: serão essas eleições apenas para o executivo camarário ou, como será natural, sejam eleições extensíveis a todos os órgãos da autarquia, designadamente ao nível da Assembleia Municipal/AM- que fiscaliza o executivo e tem como presidente Paula Teixeira da Cruz - putativa candidata pelo PSD nestas próximas eleições intercalares.

É óbvio que quem, como o PsD, está agarrado ao poder não quer perder o status, os privilégios, a influência inerente aos tachos que ainda usufrui na AM, por isso defende com unhas e dentes o indefensável, ou seja, que as eleições intercalares incidam apenas no executivo e deixem de fora a Assembleia Municipal. Ora isto, do ponto de vista da legitimidade, da coerência e da operacionalidade democrática tem nome: é um aborto político. Só que de abortos políticos já estão os lisboetas fartos com esta equipa mantida (artificialmente) por Carmona - ele próprio um sub-produto da guerrilha entre mendes e Santana.

O natural será que essas eleições assumam a sua plenitude e clarifiquem de vez com a situação podre em Lisboa que só tem paralisado o processo de tomada de decisão e, com isso, atrasado a implementação dos projectos sociais, viários, ambientais, educacionais e outros para a cidade. Sabe-se até, sob a gestão Carmona, que nem dinheiro há para comprar papel higiénico em certos departamentos da autarquia, talvez seja por isso que esta gestão tenha trazido tão mau cheiro à Capital do País. Portanto, a haver eleições deverão ser para todos os órgãos, e não só para aqueles que convém ao Psd ou à srª Paula da Cruz - cujo conceito de democracia não deixa de ser caricato.

Mas para além desta espuma política há um problema de fundo que reside no facto de as pessoas hoje já não serem coerentes nas suas opiniões. Ninguém está a ver Mendes - caso a autarquia fosse liderada por João Soares e tivese maioria na Assembleia Municipal por parte do PS - defender eleições sectoriais apenas para o executivo, poupando assim a AM. Tudo depende do lado em que estamos, dos interesses que queremos defender e em política não há princípios, só interesses. Talvez seja por esta incoerência, que levou Marques Mendes, por exemplo, a segurar no Parlamento um sujeito como António Preto, acusado de corrupção e de enriquecimento em causa própria no caso da mala preta que envolvia falsificação de cartas de condução duma empresa do Norte para a qual o referido deputado, Preto, trabalhou. Aqui Marques Mendes deveria ter sido coerente com a sua miserável doutrina caseira, mas não o foi, quis poupar o seu deputado. Ele lá saberá porquê...

Consequentemente, são atitudes e condutas hipócritas desta natureza que fazem pensar aos cidadãos e aos eleitores que os partidos políticos não passam hoje dum bando de mafiosos mais ou menos encartados que visam assaltar o poder e governar com desdém as populações, como tem sucedido em Lisboa com este poder local fabricado por Mendes e mal interpretado por Carmona.

O mesmo que hoje, curiosamente, pede que só haja eleições no executivo e deixe intocável o outro órgão - a AM - onde o PsD tem maioria. Isto é o mais puro dos oportunismos políticos, reflecte bem a visão fragmentária que Mendes, Paula teixeira da Cruz e este Psd de pacotilha nutrem pela democracia e pelo poder local em Portugal. Depois não querem perder votos e eleitores com este cinismo que já raía a revolta e a fúria.

Dantes os partidos políticos costumavam ser instituições consolidadas em torno de ideais, e quer os partidos de esquerda quer de direita moderna tinham por finalidade mudar o mundo e melhorá-lo para melhor servir os interesses e as aspirações das pessoas. Hoje, pela forma como aquele PsD se posiciona na vida pública, mais parece que os velhos partidos se converteram em empresas que concedem (ou não) o alvará para que certas opiniões vinguem e outras não. E é claro que o dr. Marques mendes já se atribuíu a si próprio o alvará para que essas eleições intercalares incidam exclusivamente no executivo poupando, assim, a sua querida amiga e putativa candidata à CML - a manter as fileiras cerradas na AM.

Já aqui temos dito que Marques Mendes revela uma terrível falta de maturidade política, mas além de estatura falta-lhe também e essencialmente ideias coerentes que o tornem fiável em termos políticos, coisa que ele não tem sido. Presumo seja das más companhias. Mendes nunca deveria descurar uma regra d' ouro em política. É que a credibilidade é como a virgindade, uma vez perdida nunca mais se...

PS: Ficou "muito bem" ontem a Marques Mendes ter jogado para o caixote do lixo da história Carmona pela tv, como se fosse uma fralda dodot toda borrada de um bébé chorão. Mendes, doravante, passará a ser associado a essa fralda política borrada - a que se somam as borradas conhecidas de Carmona e dos seus lustrosos vereadores que talvez ainda venham a ver o sol aos quadradinhos alí em Caxias. Mas, como sempre, a Justiça é coxa, e se calhar aqui será marreca e cega. Veremos...

PS1: Um postal animado para Carmona e Mendes meditarem, sentados e de mão dada na lapa, ver o vento passar...

Carmona vs Carrilho

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