sexta-feira

Um retrato do Brasil, hoje..

No ataque mais mortífero, homens fortemente armados obrigaram dois autocarros de passageiros, um local e outro interestadual, a pararem na Av. Brasil e assaltaram todos os ocupantes. Depois, para terror dos 28 passageiros do autocarro interestadual (o outro estava vazio), um dos bandidos voltou com um bidão de gasolina, derramou o combustível pelo veículo e sobre os passageiros e ateou-lhe fogo. Apavoradas, as pessoas partiram os vidros e saltaram pelas janelas, mas sete não conseguiram sair e morreram carbonizadas tendo várias outras ficado feridas. (...)
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  • Obs: Ao ver aquelas imagens tão violentas quanto gratuitas do Rio lembrei-me como o mundo actual ainda é caracterizado ao mesmo tempo pela integração mundial e pelas desintegrações nacionais em que o Brasil representa o paradigma invertido. Ali uma cortina de platina serpenteia pelo mundo, cortando zonas, cidades, ruas, avenidas, bairros - para ricos e pobres de todo um imenso País que mais parece um Continente. A violência telecomandada a partir das favelas, reflecte em si o isolamento de algumas pessoas dentro do próprio país, que alí está dividido entre ricos e muitos pobres, numa espécie de gulag tropical. E a miséria, a não integração social - aliada a uma tradicional vontade de exercer a violência com as autoridades - só pode gerar experimentalismos daqueles que vimos. Para nós aquilo é um horror, para os habitantes das rocinhas aquilo não passa duma richa de vizinhos desavindos. Parece que alí as ilhas de pobreza não conduzem à contemplação, levam antes aos molotoves que, infelizmente, geram mortes de pessoas inocentes e de forma trágicamente gratuita. O Brasil ainda tem dentro de si coisas do outro mundo...Um mundo de trevas