segunda-feira

António Vitorino continua a dar notas soltas

António Vitorino sabe que os portugueses não são parvos... Nem a propósito da passeata militar, nem a propósito de muitas outras coisas que afectam a polis. O common sense regressou à cidade, mas infelizmente ainda não o suficiente para chegar à autarquia...
A Túrquia e a visita mais ou menos problemática do Papa Bento XVI ao País de Ataturk; o caso da deputada do PCP que viu o seu mandato cassado pelo partido (que passa os alvarás de utilização e validade de tempo dos seus "funcionários") - e em relação ao qual o tal acordo de cavalheiros vale exactamente o mesmo que a tal Vichissoise que Marcelo um dia "vendeu" ao director do Independente, amigo de Rumsfeld, na sequência duma ida a Belém; as eleições altamente problemáticas na Holanda (que ameaça fragmentar a União Europeia, mais do que a França - que reencarrilará com Segoléne na Primavera) - foram alguns dos tópicos hoje abordados.
En passent, Vitorino lá disse aquilo que de mais justo deve ser feito no sistema eleitoral por forma a personalizar os mandatos e não enfiar os barretes do costume, em que deputados de tipo cola-cartazes, tipo-Ant.. Preto vão ao Parlamento assinar o ponto pela manhã e depois passam a vidinha a recolher fundos e a traficar influências com vista ao enriquecimento pessoal, ao nepotismo e a actos de corrupção política generalizada - que chegam precisamente às bordas da autarquia de Lisboa, por onde vegetam inúmeros incompetentes, gente sem a mínima preparação intelectual e são vereadores da (dese)ducação e conexos...
Mas confessamos aqui que a passagem que mais graça me deu foi quando Judite de Sousa afirma a Vitorino o seguinte:
O PCP é ainda um partido marxista-Leninista!!! E Vitorino responde: ainda é; ainda o reafirma...
Onde queremos chegar com estas pequenas notas macroscópicas?!
  • A Túrquia ameaça fervilhar e desencadear um conflito interreligioso de maiores dimensões, mas quer entrar na UE. Isto já parece a circunferência do quadrado;
  • A conduta do PCP em relação aos seus deputados é pior a cassar os seus mandatos ilegalmente (porque contra a CRP) do que a de certos empresários sem escrupúlos relativamente a operários emigrantes na Holanda (portugueses e de outras nacionalidades, nem de propósito, safa, como diria o "outro"...);
  • O PCP ainda é marxista-leninista, restou dona Judite perguntar se "fujão" barroso ainda se proclama maoista..;
  • A Holanda não está em vias de fervilhar, mas de fazer implodir a Europa ou parte dela, se assim for que impluda só a parte ocupada pelo cherne... Sempre fará menos estragos, derramará menos espinhas pelas carpetes dos corredores da Europa e menor será a despesa, mas continua um país da UE.

Destas condutas e sintomatologias só se pode concluir que vivemos num mundo completamente louco, esquizofrénico e se não tivermos potentes filtros para o descodificar e analisar ainda ficamos como o sLopes: andamos por aí, entre EDPs, edições de livros aos quadradinhos, recitais nas rádios-santuários - por entre shots e squashes marados neste Portugal de plástico.

Ante isto vale-nos o quê?! Bom, antes demais - vale-nos homens com inteligência e carácter como António Vitorino, tão raros em Portugal; vale-nos "alguma" blogosfera, também alguma imprensa - e a chuva que bate lá fora que além de lavar os carros presumo que também empreste alguns nutrientes à terra e ajude a lavar as ruas da cidade... E, já agora, que desinfecte também os actuais locatários da Edilidade lisboeta - que só pelo facto de politicamente (ainda) existirem contribuem para poluir a Capital do país...

É triste dizer isto, mas é a mais pura da verdade. Carmona em Lisboa só encontra paralelo se o compararmos com Lopes na Figueira. E o transmontano de Bruxelas só equivalerá ao Santana dos meses prematuras em S. bento.

Tudo visto e somado, uma conclusão se impõe: vivemos num mundo perigoso e Portugal está bloqueado, ainda que António Vitorino nos traga as "chaves" todas as 2ªfeiras...