terça-feira

Implosão

Em breves instantes exterminou-se o ano!!!
Foi um apartamento. Uma cisão confusa e cobarde, como tudo nela. Trocou, sem critério nem cuidado, alguma regularidade saudável por uma contingência demolidora. Ensimesmada, agiu como uma boneca de porcelana, mas que caiu e estilhaçou-se como um pote chinês. 
Esse desamparo mutilou-a, tornou-a invisível, insignificante. Como uma mosca que pousa numa das faces do vidro, e não compreende que existe o outro lado. Fez até perder a memória àqueles que dela a guardavam. 
No jogo estéril das imagens, fixada por alguma visualidade, progressivamente diluída pelo tempo, este é o tempo do nada, do vazio, da não-memória. Do grau-ZERO do ser e da existência.
Da desfiguração e da mudez.
No jogo dos tempos, tecido de intervalos crescentemente espaçados, interpôs-se um muro em ruínas sobre o qual nada mais já será possível erguer. Nem uma sombra, que podia aliviar os fantasmas futuros. Eis o tempo novo: o da Incomunicabilidade. 
Nem um encontro, nem um encontrão. Mesmo que o solicite no desejo compulsivo e curioso do seu silêncio, à semelhança da 1ª Primavera. 
Um silêncio alimentado de cobardia, medo, dependências múltiplas e subjugação, sinónimo da auto-imagem que, porventura, fará de si e que os outros farão com equivalente natureza, ainda que em testemunho silencioso. 
Um caudal de desgraça que converge apressadamente para a cisão, a fractura do ser nesse percurso perene que a aprisiona ainda mais na cadeia de acontecimentos em que escolheu viver e dos quais será eternamente escrava. 
E foi nessa aparição que ele julgou tratar-se, definitivamente, da implosão.
Autor desconhecido
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