segunda-feira

Cinquenta dias depois - por Paulo Baldaia -

Nota prévia: Moções de censura e de confiança, pacto de estabilidade e crescimento, união bancária, aprovação de orçamentos de Estado, estabilidade do sistema financeiro e do papel da banca na economia portuguesa, integração de Portugal na Nato. Eis as dúvidas que Cavaco deixou hoje a A. Costa com a ida deste a Belém. 

- Indigitação a A.Costa (!?): sim, não, talvez. Mas tudo com condições. Porque Cavaco só concede facilidades e prerrogativas aos amiguinhos do costume.

- O bold a amarelo no texto infra, é nosso. 
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Vamos voltar a ter um governo e uma oposição em efectividade de funções, libertando-nos de vez desta excentricidade portuguesa de ter dois governos e duas oposições, sem que ninguém faça a parte que lhe compete. Cinquenta dias depois, repito, cinquenta dias depois, a esquerda e a direita ainda discutem quem tem legitimidade para governar. Perdeu-se demasiado tempo a discutir um governo de gestão, disse Passos Coelho, numa boa entrevista de Vítor Gonçalves ao futuro líder da oposição. É a partir daqui que começamos a entrar na normalidade. O líder do PSD já assume que é o PS que vai governar, pressiona o Presidente para apertar um pouco mais os calos a António Costa, mas dá como certo que o líder do PS será primeiro-ministro dentro de dias.
O que importa agora é ter um governo com plenos poderes para mostrar o que vale e quanto valem os papéis que assinou com as esquerdas. Passos e Portas até já têm pressa de que Cavaco dê posse a Costa. Estão desejosos de ir a jogo, querem provar a fragilidade do governo das esquerdas e vão cortar a direito qualquer veleidade que o PS tenha de contar com eles para aprovar o que os socialistas não conseguiram pôr nos papéis que assinaram com as esquerdas. Lembram-se de Costa ter explicado que "havia acordo para o que estavam de acordo e não havia acordo para o que não estavam de acordo"? É nisso que a coligação aposta. Cinquenta dias depois, repito, cinquenta dias depois, o que havia para negociar está negociado. Se Costa não conseguiu mais, é ele que vai ter de gerir a instabilidade. Passos disse na sexta-feira que espera que, quando o PS precisar do PSD para aprovar o que quer que seja, Costa "peça desculpa, diga que enganou os portugueses com este acordo e se demita".
Na Grécia, Tsipras aprovou no Parlamento o acordo que fez com a União Europeia com votos contra da sua coligação maioritária e votos a favor da oposição. O líder da Nova Democracia teve de lembrar a Tsipras que não podia contar sempre com ele, mas deu apoio à parte do Syriza que estava no governo. Depois, foi a eleições e perdeu. Passos Coelho não quererá fazer de Vangelis Meimarakis.
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