terça-feira

Paulo Portas foi o ministro que saiu mais caro à República




Quem não se lembra da forma e termos usados pela demissão de Portas em 2013, causando uma alta nos juros das obrigações portuguesas e agravando a crise política que poderia (e deveria!!!) ter levado o PR (se este não fosse de barro) a dissolver a AR e a convocar eleições legislativas antecipadas. 

Mas antes do Paulinho tinha-se demitido, é bom recordar, o ministro das Finanças de Lapsos Coelho, o famoso Vitor Gaspar que implodiu literalmente com a economia nacional, fazendo experimentalismos económicos na micro-economia e convertendo cada cidadão português e cada empresa num ratinho de laboratório que é acompanhado no seu crescimento mediante a prescrição de drogas.

Assim, em dois ou três dias seguidos, no já longínquo Julho de 2013, dois ministros - Gasparzinho e Paulinho - agravaram em centenas de milhões de €uros (repito, centenas de milhões de euros!!) o peso da dívida de Portugal em juros, que obedecem, naturalmente, à ditadura dos mercados e à excentricidade da lógica especulativa da economia de casino que os boys de Chicago - da Escola de Massamá - defende e preconiza como doutrina para o funcionamento da nossa Fazenda Pública. Consabidamente, os resultados - sociais e económicos - foram um desastre. Facto de que o próprio Gaspar depois reconhece em carta. Está escrito. 

Perante essa irrevogável demissão de Portas, aquilo a que o país assistiu, paradoxalmente, foi não à sua saída definitiva do espaço público, como seria desejável, mas à sua promoção ao lugar de Vice-PM do Estado português. O "outro" foi chefiar uma delegação do FMI, que agora manipula os dados estatísticos com base nos quais essa coisa chamada governo português, ainda em funções, é ajudado a maquilhar os números da execução orçamental.

Todavia, o mais curioso de toda esta parafernália de motivações, factos e consequências nefastas para o erário público, e para a vida concreta dos portugueses, é considerar que a descida do índice de credibilidade da República decorre de os mercados desgostarem da Catarina Martins do BE, ou do  facto de Jerónimo de Sousa, do PCP, poder vir a dar apoio a um Governo liderado pelo PS. Os medos são, de facto, outros, e as suas motivações também...

A existir alguma incerteza, e ela existe e decorre da forma como os portugueses votaram, de modo algo atomizada, colocando os "ovinhos em várias cestas", ela resulta da própria natureza da democracia e da vontade livre das pessoas expressa em urna. Mas não são os mercados que mandam nos votos dos eleitores, não é a economia de casino que manda na democracia, e ainda que possam mandar em alguns eleitos, alguns políticos vendidos, cumpre sempre à democracia mostrar aos mercados qual é o seu verdadeiro papel na teoria económica e política e no funcionamento da vida das instituições e das nações. 

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