segunda-feira

Soberania: partilhar ou usurpar? - por Viriato Soromenho Marques -

Nota prévia: VSM denuncia aqui eficientemente as motivações e razões que fazem desta Europa um projecto político falhado, porque gerador de mais pobreza, mais assimetrias de poder no seio das instituições europeias e de falta de coesão entre o norte e centro da Europa (rico) e os países e economias mais débeis e pobres do sul. Esta descompensação, que é crescente e opera em favor da economia e da política alemã, tem de ser travada, sob pena da hegemonização da Europa pela Alemanha. Só a França, coligado com outros médios e pequenos países, pode(m) emparedar esta Alemanha sedenta de mais poder, mais protagonismo e vingança económica e financeira para com aqueles que não se lhe submetem. Esse condicionalismo é aqui eficazmente denunciado pelo articulista. 
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Ninguém pode acusar Schäuble de falta de coerência. Depois de esmagada a rebelião helénica, eis que se propõe enfraquecer ainda mais a Comissão Europeia (CE). É uma proposta duplamente ofensiva. Primeiro, ignora o murmúrio de Hollande sobre a criação de um diretório dos Seis. Não há pior humilhação em política do que ignorar as propostas dos nossos aliados. Em segundo lugar, é um aviso a Juncker para ter juízo e manter-se quieto. Alterar o papel da CE implicaria uma demorada revisão do Tratado de Lisboa. Mas Berlim quando quer alguma coisa impõe um novo Tratado Intergovernamental (Tratado Orçamental, MEE, Fundo Comum de Resolução Bancária), ou então aplana as dificuldades fazendo assentar o seu peso em cima da dificuldade até esta ficar resolvida por esmagamento. Entrámos na União Económica e Monetária a pensar que estávamos a partilhar a soberania monetária e cambial, como primeira etapa de uma maior integração política e social europeia. É o que se lê na letra de forma dos tratados e dos compromissos. Afinal, a UEM cristalizou-se nas famosas "regras" que Berlim considera fins em si próprias, quando na verdade só deveriam ser meios para essa integração, social e democrática, da Europa. A zona euro (ZE) já destruiu a Grécia, como economia e como Estado. A ZE é hoje um sistema fechado de produção de desigualdade e pobreza. A riqueza flui da periferia débil para o centro excedentário. Pior ainda, o euro divide os países, pois também aqui se estabelece uma cisão entre ganhadores e perdedores. Uma união de Estados em que a soberania em vez de ser partilhada por todos é usurpada pelo mais forte tem, inevitavelmente, um violento e catastrófico futuro à sua frente. Este é um tema que só um esquecimento doloso poderia afastar da campanha eleitoral.
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