quinta-feira

Grécia responde nas ruas às ameaças dos credores. Entre Tsypras e Passos Coelho, a resistência e dignidade vs esbulho descarado e a mentira

Nota prévia: Talvez seja útil recordar que os gregos passaram a viver numa situação limite, ou seja, viram os seus salários e pensões confiscados na ordem dos 40%; deixaram de ter acesso à saúde, à água e à luz. 
- Passaram duma situação confortável para uma situação literalmente miserável. Aumentou a sida, houve pessoas que se imolaram na praça pública como forma de contestação social pela forma como passaram a viver na sequência da austeridade imposta à Grécia, e que o Syrisa liminarmente, rejeita. 
- O problema deste quadro negro, é que foram os partidos que desgovernaram a Grécia nos últimos 20 anos, como a Nova Democracia e o Pasok (PS) - que criaram o caldo de cultura para que a corrupção e a fuga e evasão fiscais lavrassem pelo país, desprotegendo o Estado que, assim, ficou sem a possibilidade de cobrar impostos. E um Estado que não cobra impostos é um nado-morto. 
- Ao invés da Grécia, Portugal fez exactamente o contrário: pôs o Estado - através da máquina fiscal - a cobrar impostos, a confiscar e a penhorar tudo a todos, sem regra nem critério, mas isentando alguns empresários amigos de Passos, Portas e Cavaco (a famosa Lista VIP), e carregou no pedal fiscal a fim de encher os cofres do Estado com toda a espécie de impostos e taxas. Só que se esqueceu que a classe média, o povo português, ficou completamente desprotegido, e sem capacidade aquisitiva para multiplicar a demanda interna e, desse modo, funcionalizar a economia mediante a procura interna. 
- Na prática, PSD+CDS esbulharam a sociedade para engordar o Estado, razão por que hoje Passos afiança que o Estado tem os cofres cheios e não cairá a seguir à Grécia, mas a sociedade portuguesa está depenada e o tecido económico português é, hoje, uma rede de pesca toda esburacada. 
- Ora, é isso que Tsypras e o Syrisa não querem para a Grécia, impedindo que a UE os obrigue a aumentar impostos, a cortar nos salários e nas pensões dos gregos. Tsypras tenta dobrar os mercados através da vontade popular, e Passos dobrou a vontade popular através de dois expedientes, ambos canalhas e selvagens: utilizar o Fisco como uma nova pide fiscal, confiscando e penhorando o património às pessoas e empresas; e rasgando o Programa eleitoral comunicado à sociedade em 2011 e com base no qual foi eleito.
- Passos não só mentiu aos portugueses, como também faz desse mecanismo o dispositivo mais frequente da sua miserável desgovernação: institucionalizou a mentira política e sobrevive dela, como um parasita. Entre a opção grega, arriscada mas corajosa (que terá o respaldo russo, caso a Grécia tenha de sair do Euro) e a opção portuguesa, de esbulhar o povo para engordar o Estado, talvez a via dangereuse de Tsypras seja mais digna e, no limite, aquela que menos maus resultados trará aos gregos e ao berço da democracia. 

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Manifestação contra a chantagem dos credores - 17 junho 2015

Muitos milhares de pessoas concentraram-se esta noite em várias cidades gregas sob o lema “Tomemos as negociações nas nossas mãos. Abaixo a austeridade”.
Em Atenas, a manifestação convocada pelo Syriza teve lugar na Praça Syntagma, situada em frente ao parlamento grego, cuja presidente esteve ao lado dos manifestantes:(...)

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