quarta-feira

Oscar Mascarenhas: parte um grande jornalista

Nota prévia: Oscar Mascarenhas foi um homem culto, um jornalista preparado e sério, sem medo e polémico, um articulista que apresentava argumentos sólidos acerca das mais variadas temáticas em décadas de jornalismo económico, social e político. Fará muita falta ao jornalismo nacional. 

- R.I.P.

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Morreu o jornalista Oscar Mascarenhas

por Patrícia Jesus
Morreu o jornalista Oscar Mascarenhas


Começou a trabalhar no início de 1975 no diário A Capital, a convite de Cáceres Monteiro. Ficou no vespertino até 1982, quando chegou ao Diário de Notícias, jornal onde fez grande parte da carreira, até sair em 2002. Passou ainda pelo jornal de Fundão e pela Agência Lusa antes de regressar ao DN, em 2012, para o cargo de Provedor do Leitor, função que cessara no final do ano passado.
O jornalista Leonídio Paulo Ferreira recorda-o como uma figura de referência do DN. "Conheci o Oscar Mascarenhas em 1992, quando entrei como estagiário para o DN na secção Internacional. Ele era uma das figuras de referência do jornal, um dos redatores principais. Destacava-se por uma escrita riquíssima, que usava naquilo em que era melhor, a reportagem e a crónica. Era um daqueles jornalistas mais velhos a quem se podia perguntar quase tudo, porque sabia de quase tudo. Recordo-me de um dia ter-me criticado uma reportagem na Índia porque fui demasiado cronológico na narrativa - ele tinha razão e eu aprendi a lição."
Leonídio Paulo Ferreira, que fez parte da direção que convidou Oscar Mascarenhas para o cargo de Provedor do Leitor, recorda que nessas funções "manteve-se o que sempre foi: um artista da escrita, uma personalidade corajosa, sem receio da polémica".
Na segunda crónica que assinou como Provedor escrevia: "Quem leu os meus escritos destas mais de três décadas que encontre o rótulo que mais lhe parecer adequar-se. Por mim, e nestas coisas do jornalismo, tenho uma intransigência verdadeiramente ideológica: quero que me contem do mundo pelo menos duas versões - e deixem-me escolher em paz." E ao longo de quase quarenta anos de carreira foram muitos os rótulos que lhe colaram, uma vez que não fugia à polémica.
Na última crónica que assinou como Provedor, no final do mandato, lembrava que não entendia o "jornalismo como um poder mas como um serviço". Sobre o jornalismo, o caminho que escolheu depois de abandonar o curso de Direito a meio e a Força Aérea, dizia que era "a profissão mais bela e apaixonante do mundo".
Oscar Mascarenhas foi ainda presidente do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas (SJ) durante vários anos e professor na Escola Superior de Comunicação Social e no CENJOR.
Como jornalista fez reportagens em momentos históricos, como osJogos Olímpicos de 1984, as primeiras eleições livres da RDA, em 1990, a Guerra do Golfo, o julgamento de Xanana Gusmão, em Timor, e os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos EUA.
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