sexta-feira

De pintora provinciana a mulher culta, a emancipação de Josefa de Óbidos

Nota prévia: Conhecer a trajectória de Josefa de Óbidos vale bem o tempo que se perde a conhecê-la.

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De pintora provinciana a mulher culta, a emancipação de Josefa de Óbidos


Em 1949, o escritor Miguel Torga visitou a primeira exposição sobre Josefa de Óbidos realizada no Museu Nacional de Arte Antiga e não escondeu a sua decepção. “A senhora faz renda com os pincéis. Que falta de imaginação, que miséria de desenho, que geleia aquilo tudo!”, escreveu no seu Diário. “Enquanto um baboso se extasiava diante de um Menino Jesus rechonchudo, que parecia uma trouxa-de-ovos, raspei-me. Raça de portugueses que não dão um pintor que se aproveite!”
O desprezo de Torga não foi um caso isolado. Quase todos os críticos, exasperados com a aura de popularidade de que a pintora do século XVII gozava junto dos coleccionadores, que disputavam os quadros que surgiam nos leilões ou no mercado de antiguidades, concluíram tratar-se de uma artista menor, monótona, ingénua.
Sessenta e seis anos depois, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, regressa a Josefa de Óbidos, que continua a ser popular junto dos colecionadores – metade das obras na exposição Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português são empréstimos de privados – mas não foi totalmente ilibada de preconceitos.
“Confesso que quando comecei a estudar a Josefa achava que ela era uma pintora parvinha”, admite um dos comissários da exposição que acaba a 6 de Setembro, Joaquim Oliveira Caetano, conservador de pintura no MNAA.
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