terça-feira

Vitor Gaspar e a memória selectiva. Doutrina Bava

Nota prévia: Gaspar geriu a pasta das Finanças como o Victor Frankenstein, convertendo os portugueses em cobaias a fim de saber como o povo português iria reagir à austeridade da Troika, depois extremada pelas medidas radicais do governo Passos, e de que Gaspar foi o fiel intérprete desse austericídio para resgatar os bancos alemães e franceses. 

Desse experimentalismo resultou a destruição da classe média e a demolição do tecido socioeconómico português, com o país mais pobre, endividado e emigrado. Mais tarde, no verão de 2013, Gaspar reconheceu o erro e assumiu todas as responsabilidades na sua carta de demissão, após já ter tentado demitir-se duas vezes antes sem sucesso. Gaspar era um homem bem informado, embora mal formado em economia, um teórico sem qualquer conhecimento real da economia portuguesa, o que ajudará a explicar este seu esquecimento relativamente aos problemas do BES e, por extensão, às suas graves consequências sociais, económicas e financeiras para a república. 

Gaspar é mais um player que aderiu à doutrina Bava, segundo a qual, para se eximir às responsabilidades de que foi conivente, afirmou: não leio jornais, não me lembro, não tenho consciência...

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Gaspar diz que desconhecia problemas do BES enquanto era ministro
Fotografia © Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens
No conjunto de respostas que Gaspar enviou à comissão de inquérito - que chegou esta terça-feira ao Parlamento e ao qual o DN teve acesso -, o ex-ministro sublinha ainda que nunca teve "qualquer indicação que apontasse para a necessidade de uma intervenção no BES", ou seja, um aumento de capital com dinheiro público.
Ao longo de cinco páginas, o antecessor de Maria Luís Albuquerque no Terreiro do Paço nega ter afirmado, numa reunião com a Associação Portuguesa de Bancos, que "se fizesse declarações sobre a dívida do BES tinha muito a dizer", vincando nas suas respostas aos deputados que qualquer expressão similar na reunião de 7 de junho de 2012 terá servido para notar, de forma "enfática", o seu desagrado pelas palavras de Ricardo Salgado sobre a dívida portuguesa.
Gaspar realça ainda que nas reuniões que manteve com o Banco de Portugal e com a CMVM o BES foi objeto de "menor atenção", dado que o foco dos encontros estava nas entidades bancárias que tinham recorrido à recapitalização pública.
O que o ex-ministro - que deixou o executivo no verão de 2013 - não nega são as reuniões com Ricardo Salgado e com outros elementos do BES e do GES. Mas Gaspar frisa, porém, que "desses contactos não decorreu qualquer preocupação particular com a situação do banco ou do grupo".
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