quarta-feira

Há um Miguel Relvas em Passos Coelho: os efeitos colaterais do Perjúrio em Política. O Síndrome do Esquecimento Cirúrgico/SEC



Em 15 dias os portugueses constataram uma coisa simples: Pedro Passos Coelho/PPC padece do Síndrome de Esquecimento Cirúrgico (SEC) - na linha da doutrina Miguel Relvas (leia-se, sob as condições em que omitiu a feitura da sua licenciatura) e Zeinal Bava - que foi ao Parlamento afirmar que não lia jornais, não tinha memória nem consciência a propósito da ruína da PT por acção deliberada do BES, de todos conhecida.

PPC, hoje, no Parlamento, pode seguir um de dois caminhos no trilho da sua própria irrelevância política e autodestruição perante o país: (1) assumir todos os factos (com datas e nomes de empresas onde trabalhou), alguns dos quais estão ainda deliberadamente omissos no que diz respeito aos anos em que deveria ter feito os descontos para a SS e não o fez; (2) reafirmar a velha técnica, coadjuvada por Belém (que lhe lançou mais um balão de oxigénio!!), dizendo que se trata de um aproveitamento politico-partidário das oposições com o fito de enfraquecer o PM e, assim, deixá-lo em "lume brando" até às eleições legislativas.

Pode ainda irromper um 3º cenário - mitigado pelo cenário 1 e 2 e desenvolvido pelos deputados mais criativos das bancadas parlamentares do PSD e CDS, que estarão preparados para respaldar o PM e ajudá-lo nesta fase derradeira da sua existência política, em que PPC terá de fazer uma nova prova de vida..., nem que, para o efeito, se tenha novamente de chamar à colação o caso Sócrates. 

Contudo, e para além dos discursos e da dialéctica de apoio e contra o PM - os factos são incontornáveis: PPC mentiu deliberadamente aos portugueses numa matéria altamente sensível, como são as prestações contributivas e fiscais, as quais, aliás, estão na base da imposição das políticas públicas de AUSTERIDADE que têm empobrecido os portugueses, a ponto de os obrigarem a abrir falência das suas empresas, a ficarem desempregados, a emigrarem, a verem as suas contas bancárias e bens penhorados, etc.. Tudo por dívidas de valor inferior àquele que PPC deve à SS, e de que só pagou, alegadamente, uma parte. 

Curioso é notar, num plano mais macro, que todo o esforço deste Executivo tem sido desenvolvido em nome dum (suposto) rigor económico e financeiro e de equilíbrio das finanças públicas - apregoado por este PM que, consabidamente, tem revelado uma estrutural impreparação para o pleno exercício do cargo e, na sua qualidade de cidadão, contribuiu para agravar esse défice social e fiscal ao erário público não pagando as suas devidas contribuições sociais e fiscais. 

PPC é, assim, uma contradição nos termos, o que torna a sua posição de PM verdadeiramente INSUSTENTÁVEL.

Esta falta grosseira de PPC não resulta apenas duma questão política e ética, que é da maior importância, remete também para a violação da lei dos descontos que um deputado (ou um simples cidadão!!), em nenhuma circunstância, como fez o então deputado PPC, poderá invocar para se eximir às suas obrigações contributivas. Quem desconhece isto, ou finge desconhecer, como fez PPC, não tem condições de ser deputado nem secretário duma Junta de Freguesia... 

Ou seja, o PERJÚRIO a que PPC tem recorrido para ocultar zonas cinzentas do seu passado laboral, contributivo e fiscal (que na tradição anglo-saxónica implicaria a demissão imediata e, em certos casos, cadeia) - além de lhe retirar a AUTORIDADE política essencial para continuar a chefiar o Executivo, retira-lhe também a CONFIANÇA pessoal indispensável para que os cidadãos portugueses o vejam como uma pessoa de bem para os representar na relação da sociedade com o Estado.

Numa palavra, PPC é, hoje, um cadáver político adiado, pois perdeu a autoridade política para continuar a chefiar o Executivo, e também passou a ser visto pelos portugueses como um "caloteiro" que não honra os seus compromissos sociais e fiscais. É, assim, o pior entre os piores, em vez de ser, pela natureza da função que ocupa, um primus inter pares...

A situação de PPC configura uma situação substancialmente mais grave do que a que se verificou com o seu colega, Miguel Relvas, que foi obrigado a demitir-se por perjúrio e por considerar não ter mais condições anímicas para continuar. 

PPC já não é só uma vergonha para a República e para os cidadãos portugueses, ele representa já um verdadeiro embaraço para o seu próprio partido, o PSD e até para a coligação com o CDS, que terá aqui uma maquiavélica oportunidade de renascer politicamente, oferecendo os seus préstimos ao PS para com ele se coligar num eventual Governo de centro-esquerda, que o PS deve liminarmente rejeitar.

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