quarta-feira

Jorge de Sena: um trajecto curioso e a meditar no futuro político em Portugal


Na década de 60 Jorge de Sena foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, município brasileiro no interior do Estado de São Paulo. Após vencer alguns preconceitos académicos pelo facto de ser licenciado em Engenharia, Jorge de Sena defendeu a sua tese de doutoramento em Letras, Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular, tendo obtido o título académico com distinção e louvor. 
Conseguiu no Brasil aquilo que Portugal lhe negou, que foi encontrar as condições, materiais e espirituais, para se dedicar em profundidade aquilo que pretendia fazer: Poesia, teatro, ficção, investigação, ensaísmo. O romance - Sinais de Fogo, foi, porventura, o seu trabalho maior e foi escrito nessa fase, nos anos 60. 
Um engenheiro a singrar na área pura das letras!! ! 
Creio, e sem querer fazer qualquer paralelo com outras personalidades da nossa vida pública actual que hoje atravessam momentos mais críticos, que quem conseguir sobreviver mais meia dúzia de anos, irá constatar este tipo de trajecto, com pleno sucesso, a outras pessoas que hoje parecem estar no fundo do poço. 
Dois indicadores objectivos permitem-nos antever duas coisas, ambas a convergir para esse ponto de luz: 1) em 2015 haverá eleições legislativas, pelo que a sede do poder executivo mudará de mãos forçosamente; 2) em 2016, haverá eleições presidenciais, esse cargo de cúpula do aparelho de Estado será naturalmente ocupado por uma personalidade oriunda da esquerda, porventura de tipo conservadora e católica - que sabe ganhar sempre as eleições ao centro. Estes dois factos, não sendo certos, são mais do que prováveis.
Além disso, esses dois factos encadeados entre si irão permitir mudar muita coisa em Portugal, desde logo a forma como a justiça é feita e desenvolvida e também os alvos a atingir. E nessa altura, porque em Política tudo se paga (tudo!!!), o Portugal profundo irá assistir à reedição da novela mexicana que hoje é servida aos portugueses, seja em fugas deliberadas de informação, que alimentam os media, seja na flagrante violação ao segredo de justiça - que visa nutrir a sociedade espectáculo e julgar as pessoas (ou algumas pessoas!!) na praça pública, e que não é senão um acerto de contas com o passado  recente. 
Ora, esse acerto de contas - político e judicial - irá conhecer réplica no futuro próximo. A referência ao intelectual Jorge de Sena é apenas inspirador e sintomático do tempo futuro com que vamos ter de nos confrontar, por isso "habituem-se"!!!
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Jorge Cândido de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 — Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, também naturalizado brasileiro. Foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas. O seu espólio conta com uma enorme quantidade de inéditos em permanente fase de preparação e publicação, aos cuidados da viúva, Mécia de Sena. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha.
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