segunda-feira

A reputação e o paradoxo da sociedade em rede


É impressionante como é possível ser-se considerado o príncipe dos analistas políticos em Portugal e, simultaneamente, revelar uma estrondosa ignorância funcional acerca da natureza e funcionamento da chamada sociedade em rede e de algumas das suas ferramentas que permitem a utilização gratuita por cada um de nós. Para o melhor e para o menos bom. 

Nos blogues, por exemplo, o conceito de reputação é aplicado aos vários domínios de actividade humana. Se um autor é considerado competente quando faz análise sociopolítica, não é automaticamente considerado um opinion leader quando disserta sobre as questões de C & T ou I & D. 

A chamada blogosfera acaba por ser um conjunto de clusters comunicantes entre si, e em que uns são mais conhecidos e que, por essa razão, chamam a si mais seguidores. 

A própria lógica que regula essas conexões, através dos links e de afinidades temáticas, intelectuais e pessoais, acaba por regular esse mecanismo. Ou seja, cada um desses clusters constitui-se numa pequena rede social de análise,(re)definindo pequenos mundos que percorrem a política, a sociedade, a economia, o ambiente, a tecnologia...

Até já, para espanto de muitos, o PR recorre ao Facebook para emitir declarações públicas, talvez um exagero para alguém com o seu perfil ultra-conservador. Contudo, tal significa que rompeu a bolha da comunicação clássica e ingressou no mundo emergente das redes sociais, além de atingir com a sua mensagem classes mais jovens e dinâmicas da sociedade.

Estranho, como referimos inicialmente, é vermos certas personalidades fazerem determinadas valorações relativamente às redes sociais (e ao FaceBook em particular) quando, na prática, a intriga política, os jogos de bastidores, o tráfico de influências, a protecção a banqueiros amigos que destruíram valor na economia nacional e deixaram depenados pequenos e médios accionistas - é o dia-a-dia de muitos desses agentes políticos, alguns dos quais ainda não perderam a esperança e a ambição de se lançarem na corrida às eleições presidenciais de 2016. 

Talvez nessa altura, algum marketeer de serviço, incumbido de fazer a campanha presidencial, se lembre de explorar as redes sociais para intensificar a mensagem política aos eleitorados e, com isso, alargar a chamada sede sociológica de apoio.

Mas mais estranho ainda é notarmos como ilustres comentadores da nossa praça revelam tantos skills nessa arte de dizer tudo e nada simultaneamente, e revelarem-se uns tremendos ignorantes funcionais da nossa sociedade digital. 

Até pela argumentação nula encontrada - de natureza preconceituosa - para justificar  o desacerto com o tempo presente e o complexo de inferioridade agravado pelo preconceito de não saber mexer nos botões da referida sociedade digital.

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