terça-feira

Ana Carolina, a destruição da classe média e a importância da música


Nota prévia: A Alda Cabrita (que empresta nome ao seu blog) foi ver a Ana Carolina ao Meo Arena e através da música dá-nos um retrato fiel da economia nacional e dos comportamentos sociais a essa mesma crise (que já é recessão). A restauração é, desde logo, a 1ª baixa dessa crise, porque é aquele sector de actividade que acusa imediatamente o decréscimo de procura por parte dos consumidores. Curiosamente, esse sector de actividade ainda se confronta com o IVA a 23%, um dos mais elevados da Europa - que não ajuda a recuperar a confiança nos consumidores e a dinamizar esse importante sector de actividade. Seja como for, através duma simples ida a um espectáculo, se formos atentos e relacionarmos as variáveis, acabamos por compreender o buraco em que estamos e do qual é urgente sair. Por isso, a mensagem é útil, eficiente e merece meditação. As consequências, essas.., podem começar a produzir efeitos já nas próximas eleições europeias (em Maio)... 



"No dia do concerto o meu marido e eu decidimos, para evitar os engarrafamentos e o stress de última hora, ir jantar à zona da Expo. Escolhemos um restaurante muito perto do pavilhão, porque já o conhecíamos e por ter uma sala muito ampla, o que nos dava alguma garantia de obtermos um lugar. Como chegámos cedo apenas se encontravam lá três comensais, o que estranhámos. Durante o tempo da refeição, que foi largo, foram entrando pessoas e verificámos, no final, que apenas quinze indivíduos tinham utilizado o restaurante. “Uma gota de água” dada a capacidade do mesmo. E questionámo-nos sobre como era possível numa sexta-feira ao jantar, embora chovesse, no dia de um concerto preferencialmente vocacionado para a classe média, que o restaurante estivesse vazio. Eram quinze clientes contra seis empregados na sala e mais o pessoal da cozinha. Lamentava-se um dos funcionários, talvez mais preocupado, dizendo que há uns tempos atrás e num dia como aquele, o restaurante estaria cheio. Disse mais: não sei como iremos resistir. Saímos do restaurante com uma sensação de desconforto.
Já no pavilhão, e enquanto aguardávamos pela chegada da Ana Carolina, aproveitámos para observar o ambiente. E constatámos que os espectadores se encontravam instalados em três zonas distintas e bem delimitadas. Uma, só de cadeiras, constituía a plateia em frente ao palco e estava praticamente preenchida, sendo que a metade mais perto dele era a zona destinada aos VIP, uma elite que, embora seja normalmente possuidora de óptimas condições económicas, usufrui de bilhetes oferecidos. Outra, nas bancadas ao redor do recinto, tinha algumas zonas nuas. A última, as galerias na parte superior do pavilhão, estava completamente cheia. É evidente que a cada uma destas áreas correspondiam preços bem diferenciados. E é lícito concluir que cada uma delas representava uma classe social. E a classe média, para a qual estava reservado o maior número de lugares, estava ausente ou tinha transitado para as galerias, para a classe baixa.


- por Alda Cabrita - 

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