domingo

A Páscoa e os seus símbolos: o coelho e o ovo


Sendo uma passagem, a Páscoa recorda-nos aspectos que não vivemos mas temos que imaginar que vivemos e se passaram há  milhares d´anos. A ciência histórica, enquanto ciência e fonte documental, embora importante revela-se um instrumento fraco para nos ajudar a arrumar ideias e tomar opções. 
Desse modo, há três grandes categorias de reacções face à Páscoa: os mais crentes imaginam ou recordam que imaginam, que mataram Jesus e que, dias depois, Ele ressuscitou diante dos seus discípulos; os menos crentes, hesitam e perguntam-se se a sua falta de imaginação e de memória decorre dos factos terem milhares d´anos, não conhecerem a história com detalhe ou, simplesmente, quererem afirmar um traço identitário distintivo do comportamento dos crentes; e temos ainda a 3ª categoria: os verdadeiramente cépticos cuja única preocupação consiste em saber a que horas é servido o cabrito. 
Estranho em todo este processo histórico-religioso é o coelho perfilar como um dos símbolos da Páscoa, e se o bicho o é apenas porque aparece aos saltinhos nos campos no fim do inverno, com a sua prole - sinal de fertilidade - é um sinal fraco para testar a nossa fé e compreender em qual das três categorias relativamente à Páscoa cada um de nós se insere. 
O ovo, símbolo da vida, é a outra "ferramenta" utilizada pela mitologia cristã para evocar este tempo transitivo entre o Inverno e a Primavera. Menos mal...
É que com um ovo ainda se consegue presentear e desejar uma Páscoa feliz a um amigo; com um coelho, o fardo é pesado em Portugal. E compreende-se bem porquê. 
Quanto à crença na existência de Jesus Cristo, na sua ressurreição e na causa da origem primeira assente em Deus, seu Pai, talvez o melhor seja procedermos com um cepticismo moderado, a evoluir para a posição do crente activo, pois se Ele existe - na hora H. - diz o common sense - que sempre vamos melhor acompanhados no momento do juízo final. 
No fundo, a religião é o ópio do povo e serve também para disfarçarmos o medo que a morte nos suscita. Sentimento semelhante deverá ter o coelho quando se apercebe das intenções do caçador...
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