sexta-feira

Os oceanos e os navegadores portugueses


O mar para o poeta é símbolo do abstracto e do além. É o locus da criação que nos remete para um espaço sem-limite, para a eternidade. A água é sabedoria, uma das faces de Deus. Pessoa concebe mesmo o mar a uma abstracta geometria, onde o visível e o invisível se encontram. 

Volvida a fase poética e a fase das viagens de 1500, em que demos novos mundos ao Mundo, o PR introduz na sua lógica discursiva os oceanos como tema de novo desenvolvimento económico global, como se rasgasse caminhos e inovasse na exploração dos mares e, ao mesmo tempo, sabe que nada melhor do que a água (que é um excelente catalizador) para o ajudar a concluir o seu último mandato presidencial com alguma dignidade. 

Foi pena que o ainda PR não aproveitasse algumas ideias sobre a exploração dos mares, evocadas há cerca de 10 anos por Ernâni Lopes, e só agora, quase no termo do seu mandato se lembrasse de tematizar o assunto.

Ou melhor, há assuntos, temas e problemas que valem por si, têm uma existência independente do contexto político em que ocorrem, grave é quererem meter-nos o mar olhos a-dentro - quando o tema da exploração dos mares já há muito devia ter sido objecto de atenção legislativa, até porque gozamos da maior ZEE europeia,  e criado apoios e incentivos para que os novos empresários e cientistas do mar possam explorar os seus recursos em benefício de todos, ou seja, observando o princípio do desenvolvimento sustentável. 

Pena é quando se governa (ou preside!!) a pensar nos modismos políticos, quando tal ocorre converte-se uma questão que integra os global commons da humanidade numa questão de merceeria política a fim de servir paixões e carreiras em fim de linha.

Já lá vai o tempo em que a aproximação entre ocidente e oriente provocou um profundo questionamento da representação do ser. Na busca de especiarias, sob o olhar contemplativo da Ásia, os navegantes portugueses colocaram a sua identidade em risco, motivados pela diferença e pelo estranho que era para eles um mundo oculto. 

Parece que voltamos a ter de viajar num mundo carregado de memória...

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