quarta-feira

O enigma da nova esfinge - por Viriato Soromenho Marques

Ao ditado "cada povo tem o governo que merece", deveremos acrescentar: "...e a oposição que está ao seu alcance". Se a direita atrelou o País à quadriga do desmantelamento das instituições públicas, a verdade é que o espetáculo da esquerda é igualmente confrangedor. Sintoma disso é o tom cada vez mais "pessoal", e menos "político", da hostilidade crescente, no interior das diferentes tribos do PS e na esquerda em geral, contra a liderança de António José Seguro. Na verdade, a esquerda perdeu lucidez crítica e caiu na armadilha do "sebastianismo mediático". Converteu-se ao vazio da "sociedade-espetáculo". Esqueceu-se de que a televisão tem ajudado a escolher "tigres de papel", como Blair e Schröder, que se "davam bem" na pequena tela, mas lesaram fortemente as democracias de Londres e Berlim. E por cá, já não nos lembramos das trapalhadas do sempre mediático Sócrates? Como o tempo urge, e a questão da liderança na esquerda é fundamental para a sua unidade, proponho que se mude de método. Os putativos estadistas de esquerda, dentro e fora do PS, terão de responder ao enigma da tragédia nacional, que a esfinge da austeridade nos coloca: «dentro da zona euro, como está, sucumbiremos de agonia; fora da zona euro, implodiremos com estertor. Como sair daqui?». São as respostas concretas que alimentam uma liderança. A pose não chega. Seguro ainda não convence. E os outros? Alguém conhece as respostas de Costa, Louçã, Carvalho da Silva, entre outros, ao enigma de que depende o futuro de Portugal? O país pede à esquerda rigor, e não telegenia. Realismo, e não propaganda. O melhor será que os velhos e novos campeões da esquerda se concentrem na decifração do enigma, em vez de aumentarem ainda mais a autofagia nas suas hostes.
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Obs: Faça-se a A. Costa a questão de 1 milhão de euros.


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