domingo

Os acidentes da semana que passou

Socas meteu a "Europa no bolso": primeiro assinando um Tratado que era necessário para desbloquear o processo de tomada de decisão ao nível da UE; depois porque aproximou o continente africano da Europa através da cimeira UE/África, diluindo o complexo e o trauma coloniais cuja indemnização o post-terrorista-Kadafi reclamou para os africanos, doutro modo ninguém daria pela sua presença em Portugal, de par com a tenda que montou em Carcavelos, frente ao mar. Dela, da Cimeira, nada de concreto saíu, mas um mar de possibilidades aguarda concretização. Tudo depende da vontade política das elites locais e da pressão que nela depositar a UE na observância pelas boas práticas de governação que, manifestamente, não têm existido em África, salvo honrosas excepções.
Ganhou Portugal, ganhou Sócrates, ganhou a Europa. Portugal saíu prestigiado enquanto pequeno Estado que já teve um grande império, hoje não tem império mas demonstrou ser uma grande potência diplomática; Socas acumulou prestígio internacional, esperemos que, cansado da governação, não faça como o trânsfuga Durão ou o exilado Guterres - ambos inauguraram uma nova praxis política fixando mandatos de 2 anos - e não de 4 como é prática constitucional. Ganhou, por extensão, a Europa porque poderá tomar decisões no domínio económico, social, tecnológico, ambiental que a faça sair do marasmo em que se encontra e recuperar a pedalada perdida perante os EUA e a Ásia.
É, pois, da competitividade estratégica que falamos. Esperemos que o Tratado de Lisboa tenha, doravante, esse significado e que não nos sobrem agora surpresas desagradáveis com os chantagistas e os invejosos do costume que, não tendo projecto politico alternativo, se dedicam a torpedear aquilo que os outros conseguiram com muito trabalho e alguma sorte. Mas a sorte (sempre) deu trabalho.
Durão Barroso parece aqui o turista acidental, viajando num eléctrico português, mas ele mais parece um turista que avista a Torre de Belém pela 1ª vez na vida. Com sorte ainda se arrisca - com umas cunhas de Sócrates, a fazer um 2º mandato na Comissão Europeia. Desta vez já não serão necessárias as cunhas da arrastadeira Blair e desse projecto político a termo chamado g.w.Bush. Ou seja, desta vez Durão para ser (re)eleito já não será necessário inventar uma guerra (do Iraque), inventar uma cimeira (dos Azores), basta uma palavrinha amiga de Socas que Durão ficará. A não ser que...
...Socas lhe siga a pisadas e faça como Durão fez há tempos a António Vitorino: diga que está a investir no nome dele e, subterrâneamente, faz-lhe a cama elegendo-se ele próprio (Socas) para o lugar que hoje é ocupado por Durão. As amizades em política são as coisas mais voláteis que existem.
A única certeza é a dúvida, por vezes a única convicção é a traição. E a traição sempre foi a arma dos canalhas sem escrúpulos que fazem da política (e até das relações pessoais) uma permanente arte da chantagem e da ameaça. Esses vivem iludidos pelo poder que têm, mas a breve trecho darão trambolhões do tamanho do mundo.
De frente, de costas e de lado, i.é, de todos os ângulos.
Como em todas as festas, há sempre uma penetra que entra na festa sem pagar. Sabe deus a que preço...
Do que falarão eles!? Energia, import & export ou ameixas?
O MAI, o prof. Rui Pereira tem agora, talvez, o seu mais duro desafio político pela frente: erradicar um novo tipo de criminalidade que demandou a cidade, na sequência duma onda de crimes violentos que todos conhecemos na noite de Lisboa e Porto. Uma criminalidade profissional, cirúrgica, oculta, com regras próprias, verdadeiramente mafiosa que luta pelo domínio da cidade através do controlo dos melhores pontos de diversão nocturna que opõe grupos rivais de seguranças e empresários da noite. A prostituição e o negócio da noite são a nova matéria-prima que as forças de segurança terão de saber enfrentar, limitar e exterminar. Mas Rui Pereira - que já tem larga experiência em Intelligence - sabe que não se apanaham moscas com caçadeiras, pelo que a produção de informação estratégica sobre o sector e uma legislação rigorosa apoiada pelos adequados meios tecnológicos bastará para limitar os estragos feitos por esses novos bárbaros e devolver a segurança e a tranquilidade aos cidadãos que hoje vivem um pouco assustados.

O velho Jaguar, Jardim Gonçalves, morre sem glória, sem poder, sem autoridade - com todos a afastarem-se dele como se se tratasse do homem-cato, deixando o bcp de rastos, sem prestígio no mercado e com um conjunto de accionistas, com Big Joe Berardo à cabeça, por sinal o maior especulador português, a quererem apurar os factos para imputar responsabilidades. Foi este o preço pelo velho leão ter jogado borda fora o seu delfim, Paulo Teixeira Pinto. Uma coisa liga-se à outra, e uma desgraça nunca vem só... Por isso, ainda bem que PTP foi expulso pela janela do BCP, o valho jaguar será trucidado pelo postigo da entrada do cavalo da mesma instituição financeira.

Um beijo para a n/ amiga L. - que se encontra em West Bengal, Índia - que foi, talvez, o facto mais importante da semana, segundo as agendas de cada um, naturalmente.

Seal - kiss from a rose

Mas o mais fascinante do mundo é que ele não pára. Nós podemos morrer todos num cagajésimo de segundo, mas aposto que para a semana as desgraças continuam. Precisamente porque o mundo nunca pára, como o tempo que o empurra e o faz rolar. Por vezes desliza, outras vezes cilindra...